mover-se-iam
Do latim 'movere'.
Origem
Do verbo latino 'movere' (mover, agitar, comover) + pronome reflexivo 'se' + desinência verbal de futuro do pretérito da 3ª pessoa do plural (-iam).
Mudanças de sentido
Indicação de uma ação hipotética ou condicional de movimento ou agitação para um grupo.
Manutenção do sentido de ação hipotética ou condicional, aplicada a diversos contextos, incluindo ações físicas e emocionais.
O sentido de ação hipotética ou condicional se mantém, frequentemente empregado para expressar possibilidades, desejos ou situações irreais. A palavra 'mover-se' em si pode ter conotações de progresso, mudança ou agitação.
Em 'mover-se-iam', o foco está na condição ('se') e na irrealidade ou potencialidade ('-iam'). Pode ser usado para descrever o que um grupo de pessoas faria se certas circunstâncias ocorressem, ou o que objetos fariam sob influência externa. Ex: 'Se tivessem asas, os pássaros mover-se-iam livremente pelo céu.' ou 'Se a força fosse maior, os blocos mover-se-iam.' O sentido é estritamente gramatical e condicional.
Primeiro registro
Registros em textos da Chancelaria Régia e em crônicas medievais, onde a estrutura verbal com ênclise era predominante. Exemplos podem ser encontrados em documentos que narram eventos históricos ou em textos literários arcaicos.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas, como as de Camões, onde a ênclise era a norma, conferindo um tom formal e poético à narrativa.
Continua a ser utilizado em literatura realista e naturalista, embora com a crescente influência da oralidade e a alternância com a próclise em outros contextos.
Encontrado em textos acadêmicos, jurídicos e literários que buscam a formalidade. O uso em conversas cotidianas se torna raro, sendo substituído por 'se moveriam'.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura correspondente seria 'they would move themselves' ou 'they would be moved', dependendo do contexto de reflexividade e voz. O futuro do pretérito ('would') é o equivalente a '-iam'. Espanhol: 'se moverían', onde 'moverían' é o futuro do pretérito e 'se' é o pronome reflexivo. O espanhol mantém a próclise como padrão em muitos casos, mas a ênclise também é possível em certas construções. Francês: 'ils se moveraient' ou 'ils se déplaceraient', com 'moveraient'/'déplaceraient' sendo o futuro do pretérito e 'se' o pronome reflexivo.
Relevância atual
A forma 'mover-se-iam' é gramaticalmente correta, mas raramente utilizada na fala cotidiana no Brasil, sendo mais comum 'se moveriam'. Sua presença é restrita a contextos formais, literários, acadêmicos ou para evocar um estilo de linguagem arcaico ou enfaticamente polido. É um marcador de registro linguístico elevado.
Origem Etimológica e Latim Vulgar
Século V-VIII — Deriva do verbo latino 'movere' (mover, agitar, comover), com a adição do pronome reflexivo 'se' e a desinência verbal de futuro do pretérito, indicando uma ação hipotética ou condicional para a terceira pessoa do plural.
Formação do Português Medieval
Séculos XII-XV — A forma 'mover-se-iam' consolida-se na estrutura gramatical do português arcaico, refletindo a conjugação verbal e o uso de pronomes oblíquos átonos pospostos ao verbo, comum na época.
Português Moderno e Contemporâneo
Séculos XVI-Atualidade — A estrutura 'mover-se-iam' permanece gramaticalmente correta, embora o uso do pronome oblíquo átono posposto ao verbo (ênclise) se torne menos frequente em inícios de frase ou após certas conjunções, sendo mais comum a próclise ('se moveriam'). No entanto, em contextos literários ou formais, a ênclise é mantida.
Do latim 'movere'.