abstivera-se
Forma verbal do verbo 'abster-se', derivado do latim 'abstinere'.
Origem
Do latim 'abstinēre', que significa 'segurar para longe', 'conter', 'evitar'. Composto por 'ab-' (longe) e 'tenēre' (segurar).
Mudanças de sentido
O sentido primário de 'abster-se' é o de privar-se voluntariamente de algo, seja comida, bebida, prazeres ou participação em algo. A forma 'abstivera-se' reflete uma ação passada anterior a outra ação passada.
Na linguagem falada e informal brasileira, o uso do pretérito mais-que-perfeito do indicativo ('abstivera-se') é extremamente raro. A tendência é a simplificação para o pretérito perfeito ('absteve-se') ou o uso de locuções verbais.
A complexidade da conjugação do pretérito mais-que-perfeito, especialmente em sua forma sintética, torna seu uso menos frequente em um idioma que tende à simplificação gramatical na comunicação oral. O português brasileiro, em particular, favorece construções mais diretas e menos flexionadas.
Primeiro registro
Registros de textos em latim medieval e português arcaico que utilizam o verbo 'abster' e suas conjugações, incluindo formas que evoluíram para o pretérito mais-que-perfeito. A documentação específica da forma 'abstivera-se' remonta a textos literários e jurídicos medievais.
Momentos culturais
A forma 'abstivera-se' é encontrada em obras literárias clássicas e medievais, onde a gramática era mais rigorosa e o uso de tempos verbais complexos era comum para a construção de narrativas detalhadas e precisas no tempo.
Em obras literárias do século XX que buscam um estilo mais formal ou arcaizante, a forma pode aparecer, mas com frequência decrescente em comparação com períodos anteriores.
Comparações culturais
Inglês: O equivalente em inglês seria o 'pluperfect' (past perfect), como 'he had abstained'. O uso de formas sintéticas complexas como 'abstivera-se' não tem paralelo direto na estrutura verbal inglesa, que prefere formas analíticas (com verbos auxiliares). Espanhol: O equivalente é o 'pretérito pluscuamperfecto de indicativo', como 'se había abstenido'. Assim como no português, o uso da forma sintética ('abstúviera-se') é mais formal e menos comum na fala do que a forma analítica ('se había abstenido'). Francês: O 'plus-que-parfait' tem formas sintéticas ('s'abstint') e analíticas ('s'était abstenu'), com a analítica sendo predominante na fala. Alemão: O 'Plusquamperfekt' é formado analiticamente ('er hatte sich enthalten').
Relevância atual
A forma verbal 'abstivera-se' possui relevância quase exclusiva no estudo da gramática normativa, da história da língua portuguesa e na análise de textos literários e históricos. Na comunicação cotidiana brasileira, seu uso é praticamente inexistente, sendo substituída por formas mais simples e analíticas. Sua presença é mais acadêmica do que prática.
Origem Latina e Formação
Século XIII - Deriva do latim 'abstinēre', composto por 'ab-' (longe, afastado) e 'tenēre' (segurar, manter), significando 'segurar para longe', 'conter', 'evitar'. A forma 'abstivera-se' é o pretérito mais-que-perfeito do indicativo, 3ª pessoa do singular, indicando uma ação concluída no passado anterior a outro momento passado. Sua entrada no português se deu através do latim vulgar, com a conjugação verbal se consolidando ao longo dos séculos.
Uso Medieval e Moderno
Idade Média - Século XIX: O verbo 'abster-se' e suas conjugações, como 'abstivera-se', eram comuns em textos religiosos e jurídicos, referindo-se à renúncia de algo, seja um prazer, um direito ou uma ação. O pretérito mais-que-perfeito era usado para descrever ações passadas que precediam outras ações passadas, comum em narrativas históricas e literárias.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX - Atualidade: A forma 'abstivera-se' é gramaticalmente correta, mas raramente utilizada na fala cotidiana do português brasileiro. Seu uso é restrito a contextos formais, literários, acadêmicos ou em citações de textos antigos. Na comunicação informal, prefere-se o pretérito perfeito ('absteve-se') ou construções perifrásticas.
Forma verbal do verbo 'abster-se', derivado do latim 'abstinere'.