gostavam-se
Verbo 'gostar' (origem incerta, possivelmente do latim 'gustare', provar) + pronome 'se'.
Origem
Deriva do latim 'gustare', que significa provar, experimentar. A forma 'gostavam-se' é uma conjugação do verbo 'gostar' no pretérito imperfeito do indicativo ('gostavam') com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise.
Mudanças de sentido
O sentido do verbo 'gostar' (ter apreço, sentir prazer) permaneceu estável. A mudança principal reside na colocação do pronome oblíquo 'se'.
A forma 'gostavam-se' mantém o sentido original de 'sentiam apreço', 'apreciavam'. A principal distinção hoje é estilística e gramatical, relacionada à colocação pronominal.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico, como as cantigas galego-portuguesas e crônicas medievais, já apresentam a estrutura com ênclise, indicando o uso de 'gostavam-se' em contextos literários da época. (Referência: corpus_literatura_medieval.txt)
Momentos culturais
Autores como Machado de Assis e José de Alencar utilizavam a ênclise em suas obras, incluindo formas como 'gostavam-se', refletindo a norma culta de seus tempos. (Referência: corpus_literatura_classica.txt)
Embora menos comum em letras de música popular contemporânea, que tendem a ser mais informais, a forma pode aparecer em canções com intenção de resgate histórico ou formalidade.
Vida digital
A forma 'gostavam-se' é raramente usada em contextos digitais informais (redes sociais, chats). A tendência é a próclise ('se gostavam') ou a omissão do pronome em construções informais. A busca por 'gostavam-se' em motores de busca geralmente está ligada a dúvidas gramaticais ou à análise de textos literários.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura equivalente seria 'they liked each other' ou 'they were fond of each other', onde o pronome reflexivo ou recíproco é explícito e a ordem é fixa. Espanhol: A forma seria 'se gustaban', onde o pronome reflexivo/recíproco 'se' precede o verbo no pretérito imperfeito, seguindo a tendência geral de próclise em espanhol. Francês: Seria 'ils s'aimaient' ou 'ils s'appréciaient', com o pronome reflexivo 'se' (s') precedendo o verbo, similar ao espanhol e ao português brasileiro coloquial. Italiano: 'si piacevano', também com próclise do pronome 'si'.
Relevância atual
A relevância de 'gostavam-se' hoje reside principalmente em seu status gramatical como uma forma correta, embora menos comum no uso coloquial brasileiro. É uma marca de formalidade, erudição ou fidelidade à norma culta, frequentemente encontrada em contextos acadêmicos, literários e em materiais didáticos que ensinam sobre colocação pronominal.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — O verbo 'gostar' deriva do latim 'gustare' (provar, experimentar). A forma 'gostavam-se' surge da conjugação do verbo no pretérito imperfeito do indicativo ('gostavam') acrescida do pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma construção comum no português arcaico e medieval.
Evolução e Consolidação Gramatical
Séculos XIV-XVIII — A ênclise do pronome 'se' após o verbo no pretérito imperfeito era a norma. 'Gostavam-se' era uma forma gramaticalmente esperada e utilizada em diversos contextos, refletindo a preferência pela colocação pronominal após o verbo em frases afirmativas e em tempos verbais como o imperfeito.
Mudança de Uso e Contexto Contemporâneo
Séculos XIX-XXI — Com a evolução da gramática normativa e a influência de outras línguas (como o francês), a próclise (pronome antes do verbo) ganhou espaço, especialmente no português brasileiro. No entanto, a ênclise em 'gostavam-se' permanece correta e é encontrada em textos formais, literários e em contextos onde se busca um registro mais cuidado ou arcaizante. No português brasileiro coloquial, a tendência é a próclise ('se gostavam'), mas 'gostavam-se' ainda é compreendida e utilizada.
Verbo 'gostar' (origem incerta, possivelmente do latim 'gustare', provar) + pronome 'se'.