enganamo-nos
Do latim 'ingannare', com o pronome 'nos'.
Origem
Deriva do latim 'ingannare', com o sentido de iludir, enganar. A adição do pronome 'nos' confere o caráter reflexivo ou recíproco à ação.
Mudanças de sentido
O sentido primário de iludir ou trair, que pode ser direcionado a si mesmo ('enganamo-nos' como cometer um erro) ou a terceiros ('enganamos' outros).
O sentido de cometer um erro, equivocar-se, ou cair em autoilusão é o mais comum para 'enganamo-nos'. A nuance de 'ser enganado por si mesmo' é forte.
Em contextos mais formais ou literários, a distinção entre a ação reflexiva (enganar a si mesmo) e a recíproca (enganar um ao outro, no plural) é mantida. No uso coloquial brasileiro, a forma 'nos enganamos' é mais frequente e abrange ambos os sentidos.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico já apresentam o verbo 'enganar' e suas conjugações, incluindo formas com pronomes oblíquos, indicando o uso da estrutura reflexiva/recíproca.
Momentos culturais
Presente em obras literárias de Camões, Machado de Assis e outros autores, onde a forma 'enganamo-nos' pode aparecer em contextos que exploram a falibilidade humana, a autoilusão ou a complexidade das relações interpessoais.
Vida emocional
Associada a sentimentos de arrependimento, autocrítica, frustração ou à constatação de um erro cometido.
Pode carregar um peso de autodepreciação ou de reconhecimento da própria imperfeição.
Comparações culturais
Inglês: 'We deceive ourselves' ou 'We fool ourselves'. Espanhol: 'Nos engañamos'. O conceito de autoilusão ou erro cometido por si mesmo é universal, mas a estrutura gramatical e a frequência de uso da forma específica variam. O inglês tende a usar verbos mais específicos como 'deceive' ou 'fool' para a autoilusão, enquanto o espanhol mantém uma estrutura similar ao português.
Relevância atual
A forma 'enganamo-nos' é gramaticalmente correta, mas menos comum na fala cotidiana brasileira em comparação com 'nos enganamos'. Seu uso é mais restrito a contextos formais, literários ou a um registro linguístico mais cuidado. O conceito de autoilusão ou erro próprio é, contudo, perene e se manifesta em diversas outras construções linguísticas.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'enganar' tem origem no latim 'ingannare', que significa 'enganar', 'iludir', 'trair'. A forma 'enganamo-nos' surge da conjugação do verbo no presente do indicativo, primeira pessoa do plural ('enganamos'), com a adição do pronome oblíquo átono 'nos', indicando a ação recíproca ou reflexiva.
Evolução e Uso na Língua Portuguesa
Idade Média a Século XIX - O verbo 'enganar' e suas conjugações, incluindo 'enganamo-nos', consolidam-se na língua portuguesa. O sentido de cometer um erro ou iludir a si mesmo é inerente à estrutura reflexiva. O uso é comum na literatura e na fala cotidiana, sem grandes variações semânticas.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX e Atualidade - A forma 'enganamo-nos' continua em uso, embora a tendência na linguagem coloquial brasileira seja a preferência pela próclise ('nos enganamos') ou pela omissão do pronome em contextos informais. O sentido de cometer um erro ou autoilusão permanece, mas a forma com ênclise é mais formal ou literária.
Do latim 'ingannare', com o pronome 'nos'.