esquecer-se
Do latim 'excōgitāre', com alteração de sentido.
Origem
Do latim 'excōgitāre', verbo que possuía o duplo sentido de 'pensar profundamente', 'imaginar', 'inventar' e também 'deixar de pensar', 'esquecer'. A formação pronominal 'esquecer-se' reflete a ideia de um ato que recai sobre o próprio sujeito.
Mudanças de sentido
O verbo 'excōgitāre' abrangia tanto o ato de pensar intensamente quanto o de deixar de pensar, o que levou à dualidade semântica que se manteve em 'esquecer'.
O sentido de 'deixar de ter na memória' se torna predominante, embora a raiz etimológica ainda pudesse evocar a ideia de 'pensar em algo e depois não mais'.
O sentido principal é 'não lembrar', 'omitir da memória'. A forma pronominal 'esquecer-se' é amplamente utilizada, muitas vezes com a mesma função do verbo intransitivo, mas também enfatizando a ação sobre o próprio indivíduo. Ex: 'Esqueci-me das chaves' vs 'Esqueci as chaves'.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em galego-português, como em cantigas e crônicas, já apresentam o verbo 'esquecer' e suas conjugações, incluindo a forma pronominal.
Momentos culturais
Presente em obras de Camões, Machado de Assis e outros autores, onde o esquecimento é frequentemente um tema literário, associado à perda, saudade ou ao passar do tempo.
A palavra e o conceito de esquecer são recorrentes em letras de músicas, abordando temas de relacionamentos, memórias e superação. Ex: 'Esqueci de te esquecer' (Ronaldo Bastos/Lulu Santos).
Vida emocional
A palavra carrega um peso emocional significativo, associado à perda, à dor de não poder reviver momentos, à frustração por falhas de memória, mas também ao alívio de esquecer algo doloroso ou indesejado.
Vida digital
A palavra é frequentemente usada em contextos de redes sociais, em posts sobre perda de dados, esquecimento de senhas, ou em memes que brincam com a falta de memória cotidiana. Termos como 'esqueci a senha' são buscas comuns.
Embora não haja uma forma específica de internetês para 'esquecer-se', o conceito é expresso de forma concisa em frases como 'esqueci kkk' ou em emojis que representam confusão ou perda de memória.
Representações
O tema do esquecimento, seja por amnésia, trauma ou escolha, é um recurso narrativo comum em novelas, filmes e séries, explorando as consequências emocionais e sociais da perda de memória.
Comparações culturais
Inglês: 'to forget' (verbo intransitivo e transitivo). A forma pronominal 'forget oneself' existe, mas é menos comum e geralmente significa perder o controle ou agir de forma inadequada. Espanhol: 'olvidar' (verbo transitivo) e 'olvidarse' (verbo pronominal, muito comum e com sentido similar ao português). Francês: 'oublier' (verbo transitivo). A forma pronominal 's'oublier' é usada para 'esquecer-se de si mesmo', 'perder a noção de si'.
Relevância atual
A palavra 'esquecer-se' mantém sua relevância fundamental na comunicação diária, sendo essencial para descrever um dos processos cognitivos mais básicos. Sua presença na linguagem digital e em discussões sobre memória e cognição a mantém atualizada.
Origem Latina e Formação
Século XIII - Deriva do latim 'excōgitāre', que significa 'pensar fora', 'imaginar', 'inventar', e também 'esquecer'. A forma pronominal 'esquecer-se' se consolida no português medieval.
Consolidação no Português
Séculos XIV-XVI - A palavra 'esquecer' e sua forma pronominal 'esquecer-se' já são de uso corrente na língua portuguesa, aparecendo em textos literários e administrativos.
Uso Moderno e Contemporâneo
Séculos XVII-Atualidade - O sentido principal de 'deixar de ter na memória' se mantém, com variações de nuance e uso em contextos formais e informais, incluindo a linguagem digital.
Do latim 'excōgitāre', com alteração de sentido.