dar-se-a
Origem
Combinação do verbo 'dar' com o pronome oblíquo átono 'se' e a desinência de futuro do subjuntivo '-a'. A estrutura segue as regras de colocação pronominal e conjugação verbal da época, sendo uma forma gramaticalmente correta em contextos específicos de orações subordinadas ou imperativas.
Mudanças de sentido
O sentido é puramente gramatical, indicando uma ação futura ou hipotética a ser realizada pelo sujeito, com o pronome 'se' funcionando como reflexivo, recíproco, apassivador ou parte de verbos pronominais. Não há mudança de sentido intrínseco à forma, mas sim à aplicação gramatical.
A forma 'dar-se-a' não possui um sentido lexical próprio, mas sua raridade a associa a um registro linguístico arcaico ou excessivamente formal. O sentido que ela carrega é o de uma construção gramatical que está em desuso.
A principal 'mudança' é o declínio de seu uso. O que antes era uma forma gramaticalmente válida e utilizada em textos formais, hoje é percebida como antiquada. A tendência é que o falante opte por 'se dará' ou 'dará', dependendo do contexto, pois essas formas são mais naturais e comuns na comunicação contemporânea.
Primeiro registro
Registros em textos literários e gramaticais da época, como em obras de Pero Vaz de Caminha ou em gramáticas que descreviam a norma culta do português. A dificuldade em precisar um 'primeiro' registro reside no fato de ser uma construção gramatical e não uma palavra isolada com origem única.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas da literatura portuguesa e brasileira, como em textos de Camões, Machado de Assis (em seus escritos mais formais ou em citações de textos antigos), e em documentos oficiais e jurídicos que mantinham um registro linguístico mais conservador.
Vida digital
A forma 'dar-se-a' é praticamente inexistente em conteúdos digitais informais. Sua aparição em buscas online geralmente se dá em fóruns de dúvidas gramaticais, em artigos sobre a história da língua portuguesa, ou em citações de textos antigos. Não há viralização ou uso em memes, pois não é uma expressão reconhecível ou com carga semântica para tal.
Comparações culturais
Inglês: Não há uma construção direta equivalente. O inglês usa o futuro simples ('will give') ou o futuro com 'going to' ('is going to give'), sem a necessidade de pronomes oblíquos em posições fixas como no português. Espanhol: Similarmente, o espanhol usa o futuro simples ('dará') ou o futuro perifrástico ('va a dar'), e a colocação pronominal é diferente, embora o pronome 'se' exista com funções diversas. A forma 'daráse' (com ênclise) seria mais próxima em estrutura, mas o uso de 'dar-se-a' como futuro do subjuntivo é específico do português.
Relevância atual
A relevância da forma 'dar-se-a' no português brasileiro contemporâneo é mínima. Ela é considerada arcaica e restrita a contextos de estudo da língua, gramática normativa histórica ou em citações de textos antigos. No uso cotidiano e na comunicação moderna, a forma é evitada em favor de construções mais simples e atuais como 'se dará' ou 'dará'.
Origem e Formação
Séculos XV-XVI — O pronome oblíquo átono 'se' e o verbo 'dar' coexistem em construções sintáticas variadas. A forma 'dar-se-a' surge como uma possibilidade gramatical em contextos específicos, especialmente em orações subordinadas com futuro do subjuntivo ou imperativo afirmativo, seguindo a norma culta da época. Não há um registro único de 'dar-se-a' como uma unidade lexical estabelecida, mas sim como uma combinação gramatical permitida.
Evolução e Uso
Séculos XVII-XIX — A construção 'dar-se-a' continua a ser utilizada na escrita formal, refletindo a gramática normativa da época. O uso é mais comum em textos literários e jurídicos. A tendência de simplificação da língua e a preferência por construções mais diretas começam a tornar formas pronominais mais complexas menos frequentes no uso oral.
Uso Contemporâneo e Declínio
Século XX - Atualidade — A forma 'dar-se-a' torna-se progressivamente rara na língua falada e até mesmo na escrita informal. A gramática normativa moderna tende a preferir outras construções, como 'se dará' (futuro do presente) ou 'dará' (futuro do presente sem o pronome, quando o sujeito é explícito e o 'se' não é reflexivo ou apassivador). A forma 'dar-se-a' é vista como arcaica ou excessivamente formal, restrita a contextos muito específicos ou a citações de textos antigos.