desquites
Do latim 'divortium', pelo francês 'divorce'.
Origem
Do latim 'disquitio' (separação, distinção) ou 'disquitare' (separar-se), com o prefixo 'dis-' indicando separação e 'quitare' remetendo a quitar, livrar-se de uma obrigação.
Mudanças de sentido
Designava a separação judicial de corpos, permitindo a separação física dos cônjuges, mas sem dissolver o vínculo matrimonial. Era um termo formal e legal.
Com a legalização do divórcio, o termo 'desquites' tornou-se obsoleto no jargão jurídico, sendo gradualmente substituído. Manteve um uso residual e arcaico, associado a processos de separação mais antigos ou a uma compreensão social pré-divórcio.
A distinção entre desquite (separação de corpos) e divórcio (dissolução do vínculo matrimonial) era crucial antes da Lei do Divórcio de 1977 no Brasil. O desquite permitia que os cônjuges vivessem separados, mas legalmente ainda casados, o que impedia novo casamento. O divórcio, ao dissolver o vínculo, permitia a nova união. Com a Emenda Constitucional nº 9 de 1977 e a Lei nº 6.515/77, o divórcio foi legalizado, tornando o desquite uma figura legal em desuso.
Primeiro registro
Registros em documentos legais e jurídicos da época, referindo-se à separação judicial de corpos. A data exata do primeiro registro é difícil de precisar sem acesso a corpus linguísticos específicos, mas o uso se consolida nesse período.
Momentos culturais
A palavra aparece em obras literárias e cinematográficas que retratam a sociedade brasileira antes da Lei do Divórcio, refletindo as dificuldades e os estigmas sociais associados ao fim de um casamento.
Conflitos sociais
O desquite era um reflexo de conflitos sociais e religiosos em torno do casamento e do divórcio. A Igreja Católica, por exemplo, não permitia o divórcio, e o desquite era a única via legal para a separação física, gerando debates sobre a moralidade e a estrutura familiar.
Vida emocional
Associada a um processo doloroso e muitas vezes estigmatizado de separação, carregado de formalidades legais e restrições sociais. O termo evoca um tempo em que o fim de um casamento era mais complicado e socialmente condenado.
Comparações culturais
Inglês: 'Separation' ou 'legal separation' (separação legal de corpos, sem dissolução do vínculo). Espanhol: 'Separación' (separação de corpos) ou 'divorcio vincular' (divórcio que dissolve o vínculo). O conceito de desquite no português brasileiro tem paralelos diretos com a 'separación' em espanhol e a 'legal separation' em inglês, ambas precedendo o divórcio como forma de dissolução completa do casamento.
Relevância atual
O termo 'desquites' possui relevância histórica e cultural, servindo como marcador de uma época em que as leis e os costumes sociais sobre o casamento e sua dissolução eram significativamente diferentes. Juridicamente, é um termo obsoleto no Brasil, substituído pelo divórcio.
Origem Etimológica
Deriva do latim 'disquitio', que significa separação, distinção, ou do verbo 'disquitare', separar-se. O prefixo 'dis-' indica separação, e 'quitare' remete a quitar, livrar-se de uma obrigação, sugerindo o fim de uma união.
Entrada e Uso Inicial no Português
A palavra 'desquites' surge no português, possivelmente a partir do século XVIII ou XIX, para designar a separação legal entre cônjuges, sem o rompimento total do vínculo matrimonial, diferentemente do divórcio que viria a ser legalizado posteriormente no Brasil. Era um termo formal, ligado ao direito canônico e civil.
Evolução Legal e Social
Com a secularização do Estado e a introdução do divórcio no Brasil (Lei do Divórcio, 1977), o termo 'desquites' perdeu sua primazia legal, sendo gradualmente substituído por 'divórcio'. No entanto, 'desquites' manteve um uso residual, muitas vezes associado a um processo mais antigo ou a uma separação que não dissolvia completamente o casamento perante a igreja, embora a distinção legal tenha se tornado obsoleta com o tempo.
Uso Contemporâneo
Atualmente, 'desquites' é um termo arcaico no contexto jurídico brasileiro, raramente utilizado em documentos oficiais ou discussões legais sobre o fim de casamentos. Seu uso é mais comum em contextos históricos, literários ou em falas de pessoas mais velhas, remetendo a uma época em que a separação legal era mais restrita e complexa. Pode aparecer em narrativas que retratam costumes do passado.
Do latim 'divortium', pelo francês 'divorce'.