deveriam-ter
Combinação de 'deveriam' (verbo dever, 3ª pessoa do plural do futuro do pretérito) e 'ter' (verbo ter).
Origem
A estrutura de 'dever' (do latim 'debere') e 'ter' (do latim 'tenere') como verbos principais e, posteriormente, auxiliares, remonta ao latim. A formação de tempos compostos com verbos auxiliares é uma herança latina.
Mudanças de sentido
Estabelecimento da forma 'deveriam ter' + particípio para expressar uma obrigação ou probabilidade passada não realizada. Ex: 'Eles deveriam ter chegado ontem.'
A construção 'deveriam ter' funciona como um verbo modal composto, indicando uma ação que era esperada ou devida no passado, mas que não se concretizou. A forma 'deveriam haver' também era usada, mas 'ter' se tornou predominante como auxiliar.
Popularização da forma 'deveriam ter' na escrita e fala cultas. Surgimento de usos informais e agramaticais.
Na linguagem coloquial, a omissão do particípio ou a confusão com o infinitivo ('deveriam ter ir' em vez de 'deveriam ter ido') pode ocorrer, gerando a percepção de um 'erro' ou de uma forma híbrida que não corresponde à norma culta.
A forma 'deveriam ter' é reconhecida como gramaticalmente correta na norma culta. A construção incorreta ou simplificada ('deveriam ter' sem particípio) é vista como um desvio linguístico.
A expressão 'deveriam ter' em si não é um erro, mas sim a sua conjugação ou a omissão do particípio que pode gerar a percepção de uma forma incorreta. A forma 'deveriam-ter' como uma única palavra não existe na língua portuguesa.
Primeiro registro
Registros em textos literários e gramaticais que estabelecem a conjugação verbal do português moderno, incluindo o uso de verbos modais auxiliares como 'dever' com 'ter' para formar tempos compostos.
Conflitos sociais
A distinção entre o uso culto e o uso popular de construções verbais, incluindo aquelas que envolvem 'deveriam ter', reflete tensões sociais e a valorização de determinadas normas linguísticas em detrimento de outras. A correção gramatical é frequentemente associada a status social e educacional.
A percepção de 'erro' em construções como 'deveriam ter' (sem particípio) pode gerar julgamentos sociais e reforçar preconceitos linguísticos, especialmente em contextos de educação formal e avaliação.
Vida emocional
A expressão 'deveriam ter' carrega um peso de arrependimento, frustração ou reflexão sobre oportunidades perdidas. A construção incorreta pode evocar sentimentos de insegurança linguística ou de pertencimento a um grupo que não domina a norma culta.
Vida digital
Buscas por 'deveriam ter' frequentemente se referem a dúvidas gramaticais. A forma incorreta ou a confusão com o infinitivo podem aparecer em comentários de redes sociais, fóruns e mensagens informais, gerando discussões sobre a norma culta.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura correspondente é o 'modal perfect', como 'should have' + particípio (ex: 'They should have arrived'). Omissões ou simplificações informais existem, mas a forma padrão é clara. Espanhol: A estrutura é similar, usando verbos modais como 'deber' com o infinitivo do verbo auxiliar 'haber' + particípio (ex: 'Deberían haber llegado'). O uso de 'deberían tener' sem particípio seria agramatical na norma culta.
Relevância atual
A forma 'deveriam ter' (seguida de particípio) é uma construção gramaticalmente correta e essencial para expressar hipóteses ou obrigações passadas não cumpridas. A confusão com formas agramaticais ou simplificadas persiste na linguagem informal, sendo um ponto de atenção para estudantes e falantes da língua portuguesa.
Formação do Português
Séculos XII-XIII — O português arcaico, sob forte influência do latim vulgar, já possuía as formas verbais que dariam origem a 'dever' e 'ter'. A conjugação verbal complexa do latim, com seus tempos e modos, foi gradualmente simplificada, mas a estrutura de verbos auxiliares e principais se manteve.
Período Clássico e Moderno
Séculos XV-XVIII — A gramática normativa se consolida. A forma 'deveriam ter' (ou 'deveriam haver') como auxiliar para expressar uma ação que deveria ter ocorrido no passado, mas não ocorreu, é estabelecida. O uso de 'ter' como auxiliar em tempos compostos se populariza, substituindo gradualmente 'haver' em muitos contextos.
Uso Contemporâneo e Erros Comuns
Séculos XIX-Atualidade — A forma 'deveriam ter' é amplamente utilizada na norma culta para expressar o que deveria ter acontecido. No entanto, a confusão com outras formas verbais, como 'deveriam ter feito' vs. 'deveriam fazer', ou a simplificação para 'deveriam ter' sem o particípio, leva a construções agramaticais ou a interpretações ambíguas, especialmente na fala informal e na escrita não revisada.
Combinação de 'deveriam' (verbo dever, 3ª pessoa do plural do futuro do pretérito) e 'ter' (verbo ter).