entonara
Do latim 'intona-re', derivado de 'tonus'.
Origem
Deriva do verbo latino 'intorquere', que significa torcer, enrolar, dobrar. A forma 'entonara' é a conjugação do pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo do verbo 'entoar' (no sentido de emitir som, cantar, entoar uma melodia), que por sua vez tem origem no latim 'intona're (entonar, dar o tom).
Mudanças de sentido
O sentido original está ligado à ação de dar o tom, iniciar um canto ou som. A forma 'entonara' refere-se a uma ação de dar o tom que ocorreu antes de outra ação passada.
O sentido gramatical da forma verbal se mantém, mas o uso da forma simples ('entonara') declina drasticamente na linguagem corrente, sendo substituída por formas compostas ('tinha entoado'). O verbo 'entoar' em si mantém seu uso, mas a conjugação específica 'entonara' torna-se arcaica.
A mudança não é de sentido semântico do verbo 'entoar', mas sim de preferência gramatical e estilística na conjugação do pretérito mais-que-perfeito. A forma simples é considerada mais formal e literária, enquanto a composta é mais comum na fala e na escrita moderna.
Primeiro registro
Registros de formas verbais similares ao pretérito mais-que-perfeito simples em textos em português arcaico, como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português) e outros documentos da época, indicam a existência e uso dessa conjugação. A forma exata 'entonara' pode ser encontrada em textos posteriores.
Momentos culturais
A forma 'entonara' e outras do pretérito mais-que-perfeito simples eram comuns em obras literárias como as de Camões, Fernão Lopes e outros cronistas, onde a precisão temporal era crucial para a narrativa histórica e poética.
A forma 'entonara' é frequentemente citada em manuais de gramática normativa como um exemplo do pretérito mais-que-perfeito simples, servindo para ilustrar regras e conjugações verbais.
Comparações culturais
Inglês: O pretérito mais-que-perfeito simples em inglês (ex: 'had sung') também é usado para indicar uma ação anterior a outra ação passada, mas a forma simples é a única existente para este tempo verbal. Espanhol: O pretérito pluscuamperfecto de indicativo ('había cantado') é o equivalente funcional, e a forma simples ('cantara' ou 'cantase', dependendo do contexto e dialeto) também existe e é usada, embora o composto seja mais frequente na fala. Francês: O 'plus-que-parfait' ('avait chanté') é o equivalente, e a forma simples ('chanteur') não existe como tempo verbal, sendo a forma composta a única opção.
Relevância atual
A forma verbal 'entonara' possui relevância quase exclusiva no estudo da gramática histórica e normativa da língua portuguesa. Na comunicação contemporânea, seu uso é extremamente restrito, sendo considerada uma forma arcaica e literária. Sua presença digital é limitada a discussões sobre a língua ou a citações de textos antigos.
Origem Latina e Formação Verbal
Século XIII - O verbo 'entoirar' (ou similar) surge no português arcaico, derivado do latim 'intorquere' (torcer, enrolar, dobrar). A forma 'entonara' é o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo, indicando uma ação anterior a outra ação passada. Sua origem remonta à conjugação verbal latina.
Uso Arcaico e Literário
Séculos XIV a XVIII - A forma 'entonara' e outras do pretérito mais-que-perfeito simples são encontradas em textos literários e documentos históricos, mantendo seu valor gramatical de anterioridade temporal. O uso é restrito a contextos formais e literários.
Declínio no Uso Oral e Preferência por Outras Formas
Séculos XIX e XX - O pretérito mais-que-perfeito simples ('entonara') começa a cair em desuso na fala cotidiana, sendo progressivamente substituído pelo pretérito mais-que-perfeito composto ('tinha entoado') ou por outras construções sintáticas. A forma simples torna-se cada vez mais rara fora da literatura.
Uso Contemporâneo e Presença Digital
Século XXI - A forma 'entonara' é raramente utilizada na comunicação oral e escrita informal. Seu uso é praticamente restrito a contextos acadêmicos (gramática, linguística), literários (edições de textos antigos, pastiches) ou em citações específicas. A presença digital é mínima, associada a discussões sobre gramática normativa ou a trechos de obras literárias.
Do latim 'intona-re', derivado de 'tonus'.