escreviam-se
Do latim 'scribere'.
Origem
Deriva do verbo latino 'scribere' (gravar, traçar letras), com a adição das terminações verbais do pretérito imperfeito do indicativo para a 3ª pessoa do plural e do pronome oblíquo átono 'se' em ênclise.
Mudanças de sentido
O sentido fundamental de 'registrar algo por escrito' permaneceu inalterado. As mudanças se concentram na estrutura gramatical e na frequência de uso de certas construções sintáticas (ênclise vs. próclise).
Primeiro registro
Registros em textos em português arcaico, como as cantigas trovadorescas e documentos administrativos, já apresentavam formas verbais com pronome em ênclise, indicando a existência da construção 'escreviam-se' desde os primórdios da língua.
Momentos culturais
Presente em obras literárias de autores como Machado de Assis e José de Alencar, onde a ênclise era uma marca estilística comum em narrativas e diálogos formais.
Ainda utilizada em romances, crônicas e ensaios, mas com a crescente popularização da próclise na linguagem falada e em gêneros textuais mais informais.
Vida digital
A forma 'escreviam-se' raramente aparece em contextos digitais informais (redes sociais, mensagens). Quando surge, é geralmente em citações de textos antigos, em discussões sobre gramática ou em conteúdo que busca um tom mais formal ou literário. A busca por 'se escreviam' é significativamente maior em ferramentas de busca online.
Comparações culturais
Inglês: O inglês não possui conjugação verbal com pronomes oblíquos integrados da mesma forma. A estrutura seria algo como 'they were writing themselves' (literalmente) ou, mais comumente, 'they used to write' ou 'they wrote'. A ideia de ênclise ou próclise não se aplica. Espanhol: O espanhol também utiliza a ênclise e a próclise, com regras semelhantes às do português em alguns aspectos. A forma correspondente seria 'se escribían', onde o pronome 'se' pode vir antes ou depois do verbo dependendo do contexto e da região, mas a ênclise é comum em certos tempos verbais e posições na frase. Francês: O francês também tem regras de colocação pronominal, mas a estrutura e as regras de ênclise/próclise diferem significativamente do português e espanhol.
Relevância atual
A forma 'escreviam-se' é um marcador de formalidade e, por vezes, de um registro linguístico mais cuidado ou literário no português brasileiro. Sua ocorrência na fala cotidiana é baixa, sendo mais comum em textos escritos de caráter formal, acadêmico ou literário. A tendência na linguagem informal é a preferência pela próclise ('se escreviam') ou pela reestruturação da frase para evitar a ênclise em contextos onde ela soaria arcaica ou pedante.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - O verbo 'escrever' tem origem no latim 'scribere', que significa 'gravar', 'traçar letras'. A forma 'escreviam-se' é uma construção gramatical que se desenvolveu ao longo da evolução do latim vulgar para o português arcaico, combinando o radical verbal com a desinência de tempo e modo (pretérito imperfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural) e o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma característica comum na sintaxe antiga.
Consolidação Gramatical e Uso Literário
Séculos XIV a XVIII - A forma 'escreviam-se' já estava consolidada na língua portuguesa, sendo amplamente utilizada em textos literários, documentos oficiais e correspondências. A ênclise do pronome 'se' era a norma em muitos contextos, especialmente após verbos no infinitivo, gerúndio e particípio, e também em início de orações subordinadas, como em 'Quando eles escreviam-se...'.
Mudanças Sintáticas e o Português Moderno
Séculos XIX e XX - Com a evolução da gramática normativa e a influência de outras línguas (como o francês), a próclise (pronome antes do verbo) começou a ganhar mais espaço, especialmente no português brasileiro. No entanto, a ênclise em 'escreviam-se' permaneceu correta e comum em muitos registros formais e literários, embora a próclise ('se escreviam') tenha se tornado mais frequente em contextos informais e na fala cotidiana.
Uso Contemporâneo e Digital
Século XXI - A forma 'escreviam-se' é predominantemente encontrada em textos formais, literários, acadêmicos e históricos. Em contextos informais e na comunicação digital, a tendência é o uso da próclise ('se escreviam') ou a reestruturação da frase. A forma com ênclise pode soar mais erudita ou arcaica para alguns falantes.
Do latim 'scribere'.