esses
Do latim 'ipsos', acusativo plural de 'ipse', 'mesmo'.
Origem
Origina-se da junção do pronome demonstrativo latino 'ECCE' (eis, veja) com o pronome demonstrativo 'ILLI' (aquele), passando por transformações fonéticas e morfológicas no latim vulgar e, posteriormente, no português arcaico.
Mudanças de sentido
Inicialmente, 'ECCE ILLI' e suas variantes indicavam algo próximo ao interlocutor ou algo já mencionado, com função de apontar ou referenciar.
A forma 'esses' se consolida com a função demonstrativa de proximidade com o ouvinte ou de referência a algo previamente dito, mantendo a função primária.
Mantém a função demonstrativa, mas pode ser usado de forma mais coloquial, às vezes substituindo outros pronomes ou até mesmo em construções que indicam incerteza ou generalização em contextos informais.
Em algumas regiões do Brasil, a pronúncia de 'esses' pode variar, aproximando-se de 'esses' ou 'esses', refletindo a diversidade fonética do país. O uso em frases como 'esses negócios' ou 'esses trem' demonstra uma flexibilidade semântica e gramatical no registro informal.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como as Cantigas de Santa Maria, já apresentam formas que evoluíram para 'esses'.
Momentos culturais
Presente em obras de Machado de Assis, José de Alencar e outros, onde a função demonstrativa é utilizada para construir narrativas e diálogos.
Frequentemente utilizada em letras de músicas de diversos gêneros, desde o samba até o sertanejo, para contextualizar situações e personagens.
Usado para referenciar políticas, eventos ou grupos específicos, como em 'esses problemas que enfrentamos' ou 'esses projetos do governo'.
Vida digital
A palavra 'esses' é amplamente utilizada em redes sociais, fóruns e aplicativos de mensagens, mantendo sua função demonstrativa e referencial em comunicações rápidas e informais.
Pode aparecer em memes e no 'internetês' para enfatizar algo ou criar um efeito cômico, muitas vezes em construções como 'esses dias' ou 'esses rolês'.
Comparações culturais
Inglês: 'these' (plural de 'this') e 'those' (plural de 'that'), com distinção de proximidade e distância. Espanhol: 'estos'/'estas' (próximo ao falante) e 'esos'/'esas' (próximo ao ouvinte), com uma distinção mais marcada entre proximidade do falante e do ouvinte. Francês: 'ces' (plural de 'ce'/'cette'), que pode se referir a algo próximo ou distante, dependendo do contexto. Alemão: 'diese' (este/esta) e 'jene' (aquele/aquela), com distinção clara de proximidade e distância.
Relevância atual
A palavra 'esses' continua sendo um dos pilares da comunicação em português brasileiro, essencial para a coesão textual e para a clareza referencial em diversos registros linguísticos, do formal ao informal.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - Deriva do pronome demonstrativo latino 'ECCE' (eis, veja) e do pronome demonstrativo 'ILLI' (aquele), evoluindo para formas como 'illos' e posteriormente para o português arcaico 'esses'.
Consolidação no Português
Séculos XIV-XVI - A palavra 'esses' se estabelece como pronome demonstrativo de 2ª pessoa (próximo ao ouvinte) ou 3ª pessoa (referindo-se a algo já mencionado), com uso similar ao do latim vulgar.
Uso Moderno no Brasil
Séculos XVII-Atualidade - 'Esses' consolida-se como um dos demonstrativos mais frequentes na língua portuguesa falada no Brasil, com variações de uso e pronúncia dependendo da região e do contexto social.
Do latim 'ipsos', acusativo plural de 'ipse', 'mesmo'.