formava-se
Do latim 'formare'.
Origem
Deriva do latim 'formare', com o sentido de moldar, dar forma, criar, esculpir. A partícula 'se' é um pronome oblíquo átono que, posposto ao verbo, indica ação reflexiva, recíproca ou, neste caso, uma forma verbal impessoal ou passiva sintética.
Mudanças de sentido
O sentido original de 'dar forma' ou 'moldar' se mantém. A construção 'formava-se' especificamente denota um processo em andamento no passado, sem um agente explícito ou com foco na ação em si.
Utilizado para descrever a constituição ou o desenvolvimento de algo ao longo do tempo. Ex: 'Uma nova sociedade formava-se.'
O uso em literatura e textos históricos reforça a ideia de um processo gradual e contínuo no passado, como a formação de paisagens, instituições ou grupos sociais.
Mantém o sentido de processo passado. A ênclise ('formava-se') é mais comum em registros formais e literários, enquanto a próclise ('se formava') é mais frequente na fala cotidiana e em textos informais.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico já demonstram o uso de construções verbais com pronome oblíquo posposto, incluindo o pretérito imperfeito. A forma específica 'formava-se' pode ser encontrada em documentos e crônicas a partir do século XIV, com a consolidação da língua.
Momentos culturais
Frequentemente empregada em descrições paisagísticas e históricas na literatura romântica, evocando um passado idealizado ou em transformação. Ex: 'A nação formava-se sob o olhar dos deuses.'
Ainda presente em obras literárias, mas com a crescente influência da linguagem falada, que por vezes prefere a próclise.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente seria 'was forming' (pretérito imperfeito do verbo 'to form' com 'was'). A ênclise do pronome ('formava-se') não tem paralelo direto em inglês, que usa a ordem sujeito-verbo-objeto ou sujeito-verbo-complemento. Espanhol: 'se formaba' (pretérito imperfeito do indicativo do verbo 'formar' com pronome 'se' anteposto). O espanhol, assim como o português, utiliza a próclise com mais frequência em muitos contextos, embora a ênclise também exista em certas posições. Francês: 'se formait' (imparfait do verbo 'former' com pronome 'se' anteposto). Similar ao espanhol e ao português, o francês usa a próclise na maioria dos casos.
Relevância atual
A forma 'formava-se' mantém sua relevância em contextos que exigem formalidade gramatical, como textos acadêmicos, jurídicos, literários e históricos. Sua presença em narrativas que descrevem processos passados é um testemunho da riqueza e da flexibilidade da gramática portuguesa.
Origem Latina e Formação do Verbo
Século XIII - O verbo 'formar' deriva do latim 'formare', que significa moldar, dar forma, criar. A conjugação no pretérito imperfeito do indicativo com pronome oblíquo posposto ('formava-se') é uma construção gramatical que se consolida no português ao longo dos séculos.
Consolidação no Português
Séculos XIV-XVIII - A estrutura 'verbo + se' no pretérito imperfeito se estabelece como padrão para a terceira pessoa do singular em contextos descritivos e contínuos do passado. 'Formava-se' era usado para descrever ações em andamento ou hábitos no passado.
Uso Literário e Formal
Séculos XIX-XX - A forma 'formava-se' é amplamente utilizada na literatura e em textos formais para narrar eventos passados, descrever cenários e apresentar processos que estavam em curso. Exemplo: 'A cidade formava-se lentamente.'
Uso Contemporâneo
Atualidade - 'Formava-se' continua sendo a forma gramaticalmente correta e é utilizada em contextos formais, literários e em narrativas históricas. Em linguagem coloquial, pode haver a preferência pela próclise ('se formava'), mas a ênclise ('formava-se') mantém sua validade.
Do latim 'formare'.