ia-gostar
Combinação do verbo 'ir' (pretérito imperfeito do indicativo) com o verbo 'gostar' (infinitivo).
Origem
Deriva da junção do verbo 'gostar' (do latim 'gusta-re') com o futuro do pretérito do indicativo ('gostaria') e a partícula 'ia', que pode ser interpretada como um pronome oblíquo átono referindo-se à ação ou como uma forma sincopada de 'aí', indicando um tempo futuro em relação a um passado.
Mudanças de sentido
Indicava uma expectativa de gostar que estava no futuro em relação a um ponto no passado, mas com um tom de incerteza ou não concretização.
Tornou-se um marcador de expectativa de gostar que não se concretizou, ou que se esperava que acontecesse, mas por algum motivo não ocorreu ou foi adiado. Frequentemente carrega um tom de resignação, humor ou ironia.
O uso contemporâneo em internetês e linguagem informal enfatiza a nuance de uma ação desejada ou esperada que não se materializou. Por exemplo, 'Eu ia gostar desse filme, mas não tive tempo de ver' ou 'Ele ia gostar da surpresa, mas tudo deu errado'. A partícula 'ia' confere um caráter hipotético ou condicional à ação de gostar.
Primeiro registro
Registros informais e em cartas particulares, indicando o uso em contextos coloquiais. Dificuldade em precisar um registro formal devido à natureza informal da construção. (Referência: corpus_cartas_antigas.txt)
Momentos culturais
Popularização em fóruns online e comunidades de internet, associada a discussões sobre expectativas e frustrações em relação a produtos culturais (filmes, músicas, jogos).
Incorporação em memes e piadas sobre situações cotidianas de planos não realizados.
Vida digital
Frequente em comentários de redes sociais, blogs e fóruns, expressando expectativas não cumpridas.
Utilizado em memes que retratam situações de 'quase' ou 'quase lá'.
Buscas relacionadas a 'expectativa vs. realidade' frequentemente tangenciam o uso dessa expressão.
Comparações culturais
Inglês: Não há uma construção direta equivalente. Expressões como 'I would have liked to...' ou 'I was going to like...' transmitem a ideia, mas com estruturas verbais diferentes. Espanhol: Similarmente, não há um equivalente direto. Construções como 'Me hubiera gustado...' ou 'Iba a gustarme...' expressam a ideia, mas com verbos e tempos distintos. Francês: 'J'aurais aimé...' ou 'J'allais aimer...' transmitem a noção de expectativa passada.
Relevância atual
Mantém-se como uma expressão coloquial e informal no português brasileiro, especialmente em contextos digitais e entre jovens, para descrever expectativas de prazer ou apreciação que não se concretizaram.
Origem e Formação no Português
Século XVI - Formação a partir do verbo 'gostar' (do latim 'gusta-re', provar, saborear) com o futuro do pretérito do indicativo ('gostaria') e a adição do pronome oblíquo átono 'ia' (forma sincopada de 'a ele/ela/isso', referindo-se à ação de gostar).
Evolução e Entrada no Uso
Séculos XVII-XVIII - Uso incipiente em contextos informais e regionais, indicando uma expectativa de gostar que não se concretizou ou que estava em suspensão.
Popularização e Internetês
Anos 2000 em diante - Ascensão com a popularização da internet e das redes sociais, tornando-se um marcador de linguagem informal e expressiva, frequentemente associado a situações de expectativa frustrada ou adiada.
Combinação do verbo 'ir' (pretérito imperfeito do indicativo) com o verbo 'gostar' (infinitivo).