manhas

Do latim 'manea', plural de 'manus', significando mãos; ou do latim 'matutina', referindo-se à manhã.

Origem

Latim Clássico e Vulgar

Do latim clássico *manus* (mão), evoluindo para o latim vulgar *manea*. Relacionado ao período do dia em que se realizavam trabalhos manuais. A forma plural 'manhas' pode ter surgido como uma variação ou intensificação do sentido temporal, ou como um desenvolvimento semântico distinto.

Mudanças de sentido

Português Arcaico

Predominantemente o sentido temporal de 'período da manhã'.

Brasil Colonial/Império

Desenvolvimento do sentido de 'astúcias', 'artimanhas', 'truques', possivelmente associado à ideia de sutileza ou esperteza para lidar com situações adversas. O sentido temporal continua presente, mas o sentido de 'artimanha' ganha força no contexto brasileiro.

A associação com 'mão' pode ter influenciado o sentido de 'artimanha', como algo feito 'com a mão', de forma habilidosa ou dissimulada. A necessidade de astúcia em um ambiente social e econômico complexo no Brasil pode ter favorecido a adoção e o uso frequente deste sentido.

Século XX - Atualidade

Coexistência dos dois sentidos principais: o temporal ('manhã') e o de 'artimanhas', 'truques', 'espertezas' (no plural 'manhas'). Este último é mais característico do português brasileiro.

No Brasil, 'manhas' no sentido de artimanhas é comum em diversas esferas, desde conversas informais até contextos que descrevem estratégias de negociação ou comportamentos sagazes. Pode ter conotação neutra, positiva (admiração pela esperteza) ou negativa (desaprovação da malandragem).

Primeiro registro

Português Arcaico

Registros da palavra 'manhã' (singular) datam de períodos anteriores à formação do português brasileiro. O uso do plural 'manhas' com o sentido temporal é atestado em textos medievais portugueses. O sentido de 'artimanha' é mais difícil de datar precisamente, mas sua consolidação no português brasileiro é observada a partir do período colonial.

Momentos culturais

Literatura Brasileira

A palavra 'manhas' (no sentido de artimanhas) aparece em diversas obras da literatura brasileira para descrever personagens astutos, malandros ou estratégicos, refletindo aspectos da cultura e da sociedade do país. Exemplo: em romances que retratam a vida urbana ou rural, onde a esperteza é uma ferramenta de sobrevivência.

Música Popular Brasileira (MPB)

A palavra é frequentemente utilizada em letras de músicas para evocar a figura do 'malandro' ou para descrever situações de esperteza e sagacidade, elementos recorrentes na cultura musical brasileira.

Vida digital

Atualidade

O termo 'manhas' (sentido de artimanhas) é usado em redes sociais e fóruns online para descrever truques, dicas ('life hacks') ou estratégias para resolver problemas de forma criativa ou não convencional. Também pode aparecer em discussões sobre jogos, negociações ou situações cotidianas que exigem esperteza.

Memes e Internetês

Pode ser incorporada em memes ou expressões de internetês para descrever situações de 'malandragem' digital ou esperteza em jogos online e redes sociais.

Comparações culturais

Geral

Inglês: O sentido temporal é 'morning'. O sentido de 'artimanha' pode ser traduzido por 'tricks', 'wiles', 'schemes', 'cunning'. O conceito de 'malandragem' associado a 'manhas' é mais específico da cultura lusófona. Espanhol: O sentido temporal é 'mañana'. O sentido de 'artimanha' pode ser 'trucos', 'astucia', 'mañas' (a palavra espanhola 'mañas' é um cognato direto e carrega um sentido muito similar de habilidade, astúcia, ou mesmo truques). Francês: O sentido temporal é 'matin'. O sentido de 'artimanha' pode ser 'ruses', 'astuces'. Alemão: O sentido temporal é 'Morgen'. O sentido de 'artimanha' pode ser 'Tricks', 'Listen'.

Relevância atual

Atualidade

No Brasil, 'manhas' (plural) mantém uma forte relevância no vocabulário informal e coloquial, referindo-se a um espectro de comportamentos que vão da simples esperteza à astúcia, muitas vezes ligada à figura cultural do 'malandro'. O sentido temporal ('manhã') é o padrão e não apresenta particularidades notáveis no uso contemporâneo.

Origem e Chegada ao Português

Século XIII/XIV — Deriva do latim vulgar *manea*, que por sua vez vem do latim clássico *manus* (mão), referindo-se ao período do dia em que se realizavam trabalhos manuais. A palavra 'manhã' (singular) já existia em português arcaico. O plural 'manhas' surge como uma variação ou intensificação, ou mesmo como um desvio semântico.

Evolução de Sentido no Brasil

Período Colonial e Império — O sentido de 'período da manhã' é o predominante. Paralelamente, o sentido de 'astúcia', 'artimanha', 'truque' começa a se desenvolver, possivelmente por associação com a ideia de algo feito de forma sutil, 'às escondidas', ou com a esperteza necessária para sobreviver em um ambiente complexo. Este sentido é mais comum no Brasil.

Uso Contemporâneo no Brasil

Século XX e Atualidade — O duplo sentido coexiste. 'Manhã' (singular) é o termo padrão para o período do dia. 'Manhas' (plural) é amplamente utilizado no Brasil para se referir a artimanhas, truques, espertezas, ou até mesmo a um comportamento dissimulado e astuto, muitas vezes com uma conotação ligeiramente negativa, mas também podendo ser usada de forma lúdica ou admirativa para descrever sagacidade.

manhas

Do latim 'manea', plural de 'manus', significando mãos; ou do latim 'matutina', referindo-se à manhã.

PalavrasConectando idiomas e culturas