mantinham-se
Do latim 'manuteneō, manutenere', composto de 'manus' (mão) e 'teneō' (ter, segurar).
Origem
Deriva do latim 'manutere', junção de 'manu' (mão) e 'tenere' (ter, segurar). O sentido original era 'segurar com a mão', 'sustentar'.
Mudanças de sentido
Segurar com a mão, sustentar fisicamente.
Conservar, sustentar, preservar, continuar um estado ou condição.
Manter-se em um estado, condição ou posse; continuar a existir ou a operar sob certas circunstâncias. A forma 'mantinham-se' descreve ações hipotéticas ou contínuas no passado.
A expansão semântica de 'manter' para além do sentido físico para o moral, social e abstrato é um processo gradual. 'Mantinham-se' reflete essa evolução ao descrever a continuidade de estados ou ações em contextos variados, desde a preservação de costumes até a manutenção de uma posição social ou política.
Primeiro registro
Registros em textos de português arcaico, como crônicas e documentos legais, onde a conjugação verbal com pronome enclítico era a norma. A forma específica 'mantinham-se' aparece em textos que refletem a gramática da época.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas e históricas, descrevendo a continuidade de ações ou estados em narrativas que retratam a sociedade, a política e a vida cotidiana da época. Ex: 'Os nobres mantinham-se fiéis ao rei, mesmo quando as dificuldades aumentavam.'
Utilizada em romances, peças de teatro e filmes que buscam retratar períodos históricos ou contextos sociais específicos, onde a manutenção de status ou tradições era um tema central.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura equivalente em inglês seria 'they kept themselves' ou 'they maintained themselves', usada em contextos semelhantes de auto-preservação ou continuidade. O uso do pronome reflexivo é comum. Espanhol: Em espanhol, a forma seria 'se mantenían', utilizando o pronome reflexivo 'se' antes do verbo conjugado (próclise), que é a norma em muitas construções. O sentido é similar de 'continuar', 'preservar'.
Francês: 'ils se maintenaient'. Similar ao espanhol, o pronome reflexivo precede o verbo. O sentido abrange a manutenção de um estado físico, social ou moral.
Relevância atual
A forma 'mantinham-se' é gramaticalmente correta e estilisticamente adequada em contextos formais, literários e acadêmicos no português brasileiro. Embora a próclise ('se mantinham') seja mais comum na fala cotidiana, a ênclise ainda é utilizada para conferir um tom mais polido ou literário. A palavra em si, 'manter', continua a ser fundamental para expressar ideias de continuidade, preservação e sustentação em diversos âmbitos da vida.
Origem Latina e Formação do Verbo 'Manter'
Século XIII - O verbo 'manter' deriva do latim 'manutere', composto por 'manu' (mão) e 'tenere' (ter, segurar). Inicialmente, significava 'segurar com a mão', 'sustentar'. A forma 'mantinham-se' surge da conjugação do verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo, com o pronome 'se' enclítico, refletindo um uso que se consolida no português arcaico.
Evolução no Português Arcaico e Clássico
Séculos XIV-XVI - A estrutura 'mantinham-se' já aparece em textos literários e administrativos, indicando a manutenção de um estado, condição ou posse. O pronome 'se' enclítico era comum em construções verbais, especialmente após verbos no infinitivo, gerúndio ou particípio, e também em orações subordinadas, como é o caso do subjuntivo.
Consolidação e Diversificação de Uso
Séculos XVII-XIX - O verbo 'manter' e suas conjugações, incluindo 'mantinham-se', tornam-se parte integral do vocabulário formal e informal. O sentido se expande para 'conservar', 'sustentar moralmente', 'preservar', 'continuar'. A forma 'mantinham-se' é usada para descrever ações contínuas ou hipotéticas no passado, frequentemente em narrativas históricas e literárias.
Uso Contemporâneo no Português Brasileiro
Século XX - Atualidade - A forma 'mantinham-se' continua a ser utilizada na sua função gramatical original, descrevendo ações passadas que se prolongavam ou que eram mantidas sob certas condições hipotéticas. É comum em textos formais, literários e em discursos que remetem a contextos históricos ou a situações hipotéticas no passado. A preferência pela próclise ('se mantinham') em detrimento da ênclise ('mantinham-se') é mais frequente na fala e em textos informais no Brasil, mas a ênclise ainda é gramaticalmente correta e estilisticamente valorizada em certos contextos.
Do latim 'manuteneō, manutenere', composto de 'manus' (mão) e 'teneō' (ter, segurar).