performatividade
Derivado de 'performativo' (do inglês 'performative', termo cunhado por J.L. Austin) + sufixo '-idade'.
Origem
Deriva do inglês 'performative', cunhado pelo filósofo J.L. Austin para descrever enunciados que não apenas descrevem, mas realizam uma ação (atos de fala). O conceito foi expandido por Judith Butler para a análise da construção social das identidades, especialmente de gênero, como algo performativo, ou seja, construído através de atos repetidos.
Mudanças de sentido
Originalmente, referia-se estritamente à capacidade de atos de linguagem de realizar uma ação ('Eu te declaro casado').
Expansão para a construção social de identidades, onde a repetição de atos e comportamentos constitui a própria identidade (gênero, papéis sociais).
Ampliação para descrever a maneira como a realidade social e cultural é construída e encenada, incluindo a performance de si em contextos digitais e sociais.
Primeiro registro
O conceito é formalizado nos trabalhos de J.L. Austin, como 'How to Do Things with Words' (publicado postumamente em 1962), embora as palestras que o originaram sejam anteriores. A disseminação no português brasileiro ocorre através de traduções e estudos acadêmicos posteriores.
Momentos culturais
A publicação e tradução de obras de Judith Butler, como 'Problemas de Gênero', introduzem o conceito de performatividade de gênero a um público mais amplo no Brasil, influenciando debates acadêmicos e ativistas.
A palavra torna-se central em discussões sobre identidade queer, representação de minorias e crítica cultural, aparecendo em debates sobre arte, teatro, cinema e performance.
Comparações culturais
Inglês: 'Performativity' é o termo original e central nos trabalhos de Austin e Butler, com uso acadêmico e social similar ao português. Espanhol: 'Performatividad' é o termo equivalente, com uso acadêmico e em debates sobre gênero e identidade, seguindo a linha conceitual anglo-saxônica. Francês: 'Performativité' é o termo utilizado, com forte influência da filosofia continental e dos estudos de gênero.
Relevância atual
A 'performatividade' é um conceito chave para entender a construção e negociação de identidades na contemporaneidade, tanto no espaço físico quanto no digital. É utilizada para analisar a forma como indivíduos e grupos encenam e performam suas identidades, influenciando discursos políticos, sociais e culturais, e sendo frequentemente debatida em contextos de ativismo, estudos de mídia e teoria queer.
Origem Conceitual e Entrada no Português
Meados do século XX — O termo 'performatividade' surge no campo da filosofia da linguagem, especialmente com J.L. Austin e sua teoria dos atos de fala, e é posteriormente desenvolvido por Judith Butler na teoria queer. Sua entrada e disseminação no português brasileiro ocorrem de forma mais expressiva a partir das últimas décadas do século XX e início do século XXI, impulsionada por estudos acadêmicos em áreas como filosofia, sociologia, estudos de gênero e teoria literária.
Disseminação Acadêmica e Teórica
Final do século XX - Atualidade — A palavra 'performatividade' consolida-se no vocabulário acadêmico brasileiro, sendo amplamente utilizada em teses, dissertações, artigos científicos e livros. A tradução de obras fundamentais de autores como Austin e Butler para o português contribui significativamente para sua adoção e difusão.
Uso Contemporâneo e Expansão
Início do século XXI - Atualidade — O conceito de performatividade transcende o meio acadêmico, encontrando ressonância em discussões sobre identidade, representação social, cultura pop e ativismo. A palavra é utilizada para descrever a maneira como identidades (de gênero, sociais, culturais) são construídas e expressas através de atos e comportamentos repetidos.
Derivado de 'performativo' (do inglês 'performative', termo cunhado por J.L. Austin) + sufixo '-idade'.