profanidade
Do latim 'profanitas, -atis'.
Origem
Do latim 'profanitas', que por sua vez deriva de 'profanus' (fora do templo, não sagrado, secular, blasfemo). O radical 'fanum' refere-se a templo ou lugar sagrado.
Mudanças de sentido
Originalmente, o oposto de 'sacro'; o que é secular, mundano. Rapidamente evolui para significar desrespeito ao sagrado, sacrilégio, blasfêmia.
Expansão para incluir linguagem vulgar, obscena, indecente, grosseira ou imoral, desvinculando-se parcialmente do contexto estritamente religioso.
A profanidade passa a ser associada a qualquer forma de expressão considerada chula ou de mau gosto, não apenas aquela que atenta contra divindades ou ritos. Isso reflete uma secularização da moralidade e uma ampliação do conceito de 'decoro'.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português, frequentemente em sermões, crônicas e documentos eclesiásticos, atestando o uso no contexto de condenação de heresias e blasfêmias.
Momentos culturais
A profanidade em letras de música popular brasileira (MPB) e samba, gerando debates sobre censura e liberdade artística. Uso em obras literárias que retratam a realidade social urbana.
Aumento do uso em comédias e programas de TV com humor mais ácido e linguagem coloquial, refletindo mudanças nos costumes e na aceitação da linguagem considerada vulgar.
Conflitos sociais
Debates sobre a liberdade de expressão versus o respeito a grupos religiosos. Casos de artistas, políticos ou figuras públicas que usam linguagem considerada profana em discursos ou obras, gerando polêmica e pedidos de retratação ou punição.
Discussões sobre a classificação etária de filmes, séries e jogos, onde a presença de profanidades é um dos critérios para determinar o público adequado.
Vida emocional
Associada a sentimentos de repulsa, indignação, escândalo e condenação moral, especialmente quando ligada ao sagrado ou à moralidade pública.
Pode evocar tanto repulsa e ofensa em setores mais conservadores, quanto um senso de rebeldia, autenticidade ou humor em outros, dependendo do contexto e da intenção.
Vida digital
A palavra 'profanidade' é frequentemente usada em discussões online sobre o conteúdo de redes sociais, vídeos virais e memes. Discussões sobre 'linguagem profana' em comentários e posts.
Termos relacionados como 'linguagem chula', 'palavrão', 'xingamento' são mais comuns em buscas e discussões sobre o uso de vocabulário vulgar na internet. 'Profanidade' aparece mais em contextos formais ou de análise cultural/religiosa.
Representações
A profanidade é representada em diálogos de personagens em filmes, novelas e séries brasileiras para caracterizar realismo, rebeldia, humor ou baixo nível social. Frequentemente, o uso de 'profanidades' é um ponto de conflito entre personagens ou um elemento de crítica social.
Comparações culturais
Inglês: 'Profanity' (sentido similar, tanto para o sagrado quanto para linguagem vulgar). Espanhol: 'Profanidad' (sentido similar, com ênfase histórica no sacrilégio e uso moderno para linguagem obscena). Francês: 'Profanation' (mais focado no ato de profanar o sagrado, 'vulgarité' para linguagem obscena). Alemão: 'Gotteslästerung' (blasfêmia, profanação do sagrado) e 'Vulgärität' (linguagem vulgar).
Origem Etimológica e Latim
Século XIV — do latim 'profanitas', derivado de 'profanus', que significa 'fora do templo', 'não sagrado', 'blasfemo'. Originalmente, referia-se ao que era secular ou mundano, em oposição ao sagrado.
Entrada no Português e Idade Média
Idade Média — A palavra entra no vocabulário português com o sentido de irreverência para com o sagrado, sacrilégio, blasfêmia. Era usada em contextos religiosos e jurídicos para descrever atos contra a fé ou instituições religiosas.
Evolução de Sentido e Uso Moderno
Séculos XVI-XIX — O sentido se expande para incluir linguagem vulgar, obscena ou indecente, mesmo que não diretamente ligada ao sagrado. Começa a ser usada em contextos literários e sociais para descrever comportamentos ou falas consideradas grosseiras ou imorais.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX-Atualidade — A palavra 'profanidade' mantém seus sentidos de irreverência ao sagrado e linguagem obscena. No Brasil, é frequentemente empregada em debates sobre liberdade de expressão versus respeito a crenças religiosas, e em discussões sobre o conteúdo de mídia e entretenimento.
Do latim 'profanitas, -atis'.