sermos
Do latim 'esse'.
Origem
Deriva do latim 'esse' (ser), com influências da conjugação da primeira pessoa do plural ('sumus') e do infinitivo ('esse'). A formação do infinitivo pessoal é uma característica herdada do latim.
Mudanças de sentido
Expressava a ideia de existência, essência ou estado do sujeito 'nós'.
Mantém o sentido original, sendo usada em diversas construções: 'É importante sermos honestos.', 'Queremos sermos reconhecidos.', 'O objetivo é sermos felizes.'
Primeiro registro
Presente em documentos da Chancelaria Régia e em textos literários e jurídicos do português arcaico, como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português, demonstra a estrutura verbal da época).
Momentos culturais
Utilizado em obras como as de Dom Dinis e em textos religiosos para expressar a condição humana ou divina.
Presente em obras de Camões, Machado de Assis, Clarice Lispector e em toda a produção literária brasileira, refletindo a identidade e os dilemas do 'nós'.
Frequente em letras de canções que abordam temas de coletividade, esperança e identidade nacional, como em 'Apesar de Você' de Chico Buarque ('Amanhã, há de ser outro dia / [...] / E o que pode ser o fim / Do nosso amor / [...] / O que nos resta é o que seremos / [...]').
Vida emocional
Carrega um peso de coletividade e pertencimento. Frequentemente associada a ideais, aspirações e à construção de uma identidade grupal ('Nós devemos ser...', 'O que queremos ser...'). Pode evocar sentimentos de unidade, propósito ou, em contextos negativos, de obrigação ou destino.
Vida digital
Presente em discussões online sobre identidade de grupo, movimentos sociais e coletivos. Usado em hashtags e em posts que buscam expressar um senso de comunidade ou um objetivo compartilhado ('#JuntosSermosMaisFortes', 'O que queremos sermos no futuro').
Comparações culturais
Inglês: O infinitivo pessoal é menos comum, sendo substituído por construções com 'to be' + sujeito implícito ou explícito ('for us to be', 'we are to be'). Espanhol: 'ser' possui o infinitivo pessoal 'ser nosotros' ou, mais comumente, usa-se o infinitivo impessoal 'ser' com o sujeito explícito ('queremos ser', 'debemos ser'). O português é mais próximo do espanhol na manutenção do infinitivo pessoal, embora o uso seja mais frequente em português.
Relevância atual
Fundamental na construção de frases que expressam identidade coletiva, planos futuros e estados existenciais do grupo 'nós'. Continua sendo uma forma verbal essencial em todos os níveis de comunicação no português brasileiro, desde o discurso formal até o informal e digital.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - O infinitivo pessoal 'sermos' deriva do latim 'esse' (ser), especificamente da forma 'sumus' (nós somos) e do infinitivo 'esse'. A conjugação verbal em português se desenvolveu a partir do latim vulgar falado na Península Ibérica, mantendo a estrutura de infinitivo pessoal para expressar a ação em relação a um sujeito específico.
Consolidação na Língua Portuguesa Medieval
Idade Média - 'Sermos' já era uma forma verbal estabelecida no português arcaico, utilizada em textos religiosos, jurídicos e literários para indicar a existência ou a essência do grupo 'nós'. Sua estrutura refletia a necessidade de expressar a ação verbal em relação a um sujeito plural e específico, característica mantida do latim.
Uso Moderno e Contemporâneo
Séculos XV - Atualidade - A forma 'sermos' manteve sua função gramatical inalterada. É amplamente utilizada em todos os registros da língua portuguesa, formal e informal, para expressar a primeira pessoa do plural do infinitivo do verbo 'ser'. Sua presença é constante em construções que indicam identidade, estado, condição ou propósito do grupo 'nós'.
Do latim 'esse'.