carregavam-na
Derivado do latim 'carricare', com o pronome 'a' do latim.
Origem
Deriva do latim 'carrus' (carro, carreta), com a adição de desinências verbais do pretérito imperfeito do indicativo e a ênclise do pronome oblíquo átono 'a'.
Mudanças de sentido
Sentido literal de transportar algo em um veículo ou sobre os ombros. O pronome 'a' referia-se a um objeto feminino singular.
O sentido literal se mantém, mas o uso da forma 'carregavam-na' se restringe a contextos formais e literários, podendo soar arcaico no português brasileiro coloquial.
A principal 'mudança' não é semântica, mas sim de frequência e aceitação sintática no português brasileiro coloquial, onde a próclise ou a omissão do pronome são mais prevalentes. A forma 'carregavam-na' preserva o sentido original, mas sua ocorrência diminuiu drasticamente no uso informal.
Primeiro registro
Registros em documentos notariais e textos literários em português arcaico, como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português, a estrutura sintática é similar) e os primeiros textos em prosa em português.
Momentos culturais
Presença em obras literárias da época, como romances regionalistas e históricos, onde a norma culta era mais rigidamente seguida. Ex: 'As lavadeiras carregavam-na para o rio.'
Ainda presente em textos acadêmicos e literários, mas começando a ser percebida como formal demais para o uso cotidiano no Brasil.
Conflitos sociais
A dicotomia entre a norma culta (onde 'carregavam-na' é aceita) e a norma coloquial (onde 'elas carregavam' é predominante no Brasil) reflete tensões sociais e regionais na percepção da 'correção' linguística. O uso de 'carregavam-na' pode ser visto como um marcador de erudição ou distanciamento social no Brasil.
Vida emocional
Para falantes brasileiros, a forma 'carregavam-na' pode evocar sentimentos de formalidade, academicismo, ou até mesmo um certo distanciamento ou 'pedantismo', dependendo do contexto e da percepção do ouvinte. Em Portugal, a carga emocional pode ser diferente, com maior aceitação da ênclise.
Vida digital
A forma 'carregavam-na' raramente aparece em contextos digitais informais (redes sociais, chats). Quando aparece, geralmente é em citações literárias, discussões sobre gramática ou em conteúdos produzidos por instituições educacionais ou culturais. Buscas por 'carregavam-na' podem estar ligadas a dúvidas gramaticais.
Representações
Em produções audiovisuais brasileiras, a forma 'carregavam-na' seria mais provável em diálogos de personagens com alto grau de escolaridade, em contextos históricos específicos, ou para criar um efeito de distanciamento temporal ou social. No entanto, a tendência é a adaptação para o coloquial ('elas carregavam').
Origem Latina e Formação do Verbo
Século V-VIII d.C. — O verbo 'carregar' deriva do latim 'carrus' (carro, carreta), que por sua vez tem origem celta. A forma 'carregavam' é a terceira pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo, formada a partir do radical latino e de desinências verbais que se consolidaram no latim vulgar e, posteriormente, no português arcaico. A ênclise do pronome 'a' (referindo-se a um objeto feminino singular) é uma característica da sintaxe latina e se manteve no português arcaico.
Português Arcaico e Consolidação Gramatical
Séculos IX-XV — A estrutura 'carregavam-na' já se encontrava em uso no português arcaico, refletindo a sintaxe da época, onde a ênclise era a norma em muitos contextos, especialmente após verbos no infinitivo, gerúndio e em orações principais. O pronome 'a' referia-se a substantivos femininos singulares, comuns na época e ainda hoje.
Período Clássico e Normatização
Séculos XVI-XVIII — Com a consolidação da gramática normativa do português, a forma 'carregavam-na' continuou a ser utilizada, especialmente na escrita formal e literária. A ênclise era preferida em início de frase e após certas conjunções, enquanto a próclise (ex: 'a carregavam') ganhava espaço em outros contextos, mas a forma com ênclise mantinha sua validade e prestígio.
Uso Contemporâneo e Variação
Século XIX - Atualidade — A forma 'carregavam-na' é gramaticalmente correta e utilizada em contextos formais, literários e em algumas regiões do Brasil onde a ênclise é mais preservada. No entanto, no português brasileiro coloquial, a próclise ('elas carregavam') ou a omissão do pronome oblíquo ('elas carregavam') são mais comuns, especialmente no Brasil. A forma 'carregavam-na' pode soar arcaica ou excessivamente formal para muitos falantes brasileiros.
Derivado do latim 'carricare', com o pronome 'a' do latim.