cheias-de-si
Formado pela junção da preposição 'de' com o pronome 'si', e o adjetivo 'cheio' (no feminino plural 'cheias').
Origem
Formada pela junção do verbo 'ter' (implícito), o pronome reflexivo 'si' e o adjetivo 'cheio'. O sentido original é de 'estar cheio de si mesmo', indicando um acúmulo interno de qualidades ou, mais frequentemente, de defeitos percebidos.
Mudanças de sentido
Predominantemente pejorativo, associado à vaidade excessiva, arrogância e falta de humildade. → ver detalhes TEXTO_EXPANDIDO
Neste período, a locução é frequentemente empregada em obras literárias e sermões para criticar comportamentos considerados moralmente reprováveis, como a soberba e a presunção. O indivíduo 'cheio-de-si' é visto como alguém que se superestima e despreza os outros.
Mantém o sentido pejorativo, mas pode ser usada com ironia ou para descrever autoconfiança exagerada, por vezes beirando a arrogância. → ver detalhes TEXTO_EXPANDIDO
Embora o sentido negativo de arrogância e presunção seja o mais comum, o uso contemporâneo pode apresentar nuances. Em conversas informais, pode ser empregada com um tom de brincadeira ou para descrever alguém com uma autoestima muito elevada, que pode ser vista como positiva ou negativa dependendo do contexto. A linha entre autoconfiança e arrogância é tênue e a locução 'cheio-de-si' geralmente pende para o lado negativo.
Primeiro registro
Registros em obras literárias e gramaticais que já descrevem o uso da locução com o sentido de presunçoso ou arrogante. Exemplos podem ser encontrados em textos de autores como Gregório de Matos ou em dicionários da época que começam a catalogar o vocabulário.
Momentos culturais
Frequente em romances realistas e naturalistas para caracterizar personagens com traços de vaidade e superioridade social.
Utilizada em letras de música popular e em diálogos de novelas para descrever tipos sociais específicos, muitas vezes com um tom crítico ou cômico.
Conflitos sociais
Associada à crítica de classes sociais que exibiam ostentação e um senso de superioridade infundado.
O uso da expressão pode gerar debates sobre autoconfiança versus arrogância, especialmente em ambientes de trabalho e redes sociais, onde a percepção de 'ser cheio-de-si' pode impactar a imagem profissional e pessoal.
Vida emocional
Carrega um peso negativo forte, associado a sentimentos de repulsa, desaprovação e crítica moral.
O peso emocional varia. Pode evocar desdém, irritação ou, em contextos irônicos, um leve divertimento. A conotação negativa ainda é predominante.
Vida digital
Presente em comentários de redes sociais, memes e discussões online, geralmente com o sentido pejorativo de arrogância ou autossuficiência exagerada. Pode aparecer em hashtags irônicas ou críticas.
Representações
Personagens 'cheias-de-si' são arquétipos comuns em novelas e filmes, representando vilões, antagonistas ou figuras cômicas que precisam aprender uma lição de humildade.
Continua a ser um traço de personagem recorrente em diversas mídias, explorando a dinâmica entre autoconfiança e arrogância.
Comparações culturais
Inglês: 'conceited', 'arrogant', 'smug'. Espanhol: 'creído/a', 'engreído/a', 'soberbio/a'. Francês: 'prétentieux/se', 'arrogant(e)'. Alemão: 'eingebildet', 'überheblich'. Todas as línguas possuem termos para descrever a arrogância e o excesso de autoconfiança, com nuances similares ao português.
Relevância atual
A locução 'cheias-de-si' mantém sua relevância como um termo descritivo para indivíduos que demonstram excesso de autoconfiança, muitas vezes de forma negativa. É uma expressão viva na linguagem cotidiana, usada para criticar ou, com menos frequência, para descrever uma autoestima exagerada.
Formação da Locução Adjetiva
Séculos XVI-XVII — A locução 'cheias-de-si' começa a se formar no português, a partir da junção do verbo 'ter' (implícito ou explícito) com o pronome 'si' e o adjetivo 'cheio', indicando um excesso de algo em si mesmo.
Consolidação do Sentido Negativo
Séculos XVIII-XIX — A locução se consolida com um sentido predominantemente negativo, associada à soberba, arrogância e presunção. É comum em textos literários e morais da época para descrever personagens com excesso de autoconfiança.
Uso Contemporâneo e Ressignificação
Século XX-Atualidade — Mantém o sentido pejorativo, mas também pode ser usada de forma mais branda ou irônica. Em alguns contextos, pode haver uma leve ressignificação para descrever alguém com forte autoestima, embora o tom negativo ainda prevaleça.
Formado pela junção da preposição 'de' com o pronome 'si', e o adjetivo 'cheio' (no feminino plural 'cheias').