comecava-se
Forma verbal do verbo 'começar' (do latim vulgar *cominitiare*) com o pronome 'se'.
Origem
Derivação do latim 'cominitiare' (iniciar, principiar). A partícula 'se' é um pronome que, neste contexto, funciona como índice de indeterminação do sujeito ou partícula apassivadora, indicando que a ação de começar não tem um sujeito específico ou que o sujeito é indeterminado.
Mudanças de sentido
A forma 'começava-se' era utilizada para descrever o início de uma ação de forma impessoal ou reflexiva, sem especificar o agente. Ex: 'Começava-se a plantar na primavera.' (Ação impessoal). 'Começava-se a vestir.' (Ação reflexiva).
A estrutura 'começava-se' mantém seu sentido original, mas sua frequência de uso na fala coloquial diminuiu em favor de construções mais diretas ou com verbos auxiliares. O sentido de início de ação ou estado permanece inalterado, mas a forma gramatical é menos comum no dia a dia.
Em contextos literários ou formais, 'começava-se' pode ser usada para conferir um tom mais clássico ou para enfatizar a impessoalidade do início de um evento ou processo. Ex: 'Naquela época, começava-se a questionar os velhos costumes.'
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português, como crônicas e documentos notariais, que já apresentavam a conjugação verbal com a partícula 'se' em diferentes tempos e modos. A forma específica 'começava-se' estaria presente em textos que descrevem ações contínuas no passado.
Momentos culturais
A forma 'começava-se' aparece em obras literárias de autores como Guimarães Rosa ou Clarice Lispector, que frequentemente exploravam a complexidade da linguagem e a profundidade psicológica, utilizando construções gramaticais que podiam soar mais arcaicas ou formais para o leitor contemporâneo.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente em inglês seria 'it was beginning' (voz passiva impessoal) ou 'one was beginning' (sujeito indeterminado). Espanhol: 'se comenzaba' (estrutura idêntica em termos de função do 'se'). Francês: 'on commençait' (uso do pronome 'on' para sujeito indeterminado). Alemão: 'man begann' (uso do pronome 'man' para sujeito indeterminado).
Relevância atual
A forma 'começava-se' é gramaticalmente correta e compreendida no português brasileiro, mas sua relevância na comunicação cotidiana é menor em comparação com construções mais simples. Sua presença é mais notável em contextos acadêmicos, literários e em discursos que buscam uma formalidade ou impessoalidade específicas. A tendência na fala é a simplificação e o uso de estruturas mais diretas.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'começar' deriva do latim 'cominitiare', que significa 'iniciar', 'principiar'. A forma 'começava-se' surge da conjugação do verbo no pretérito imperfeito do indicativo ('começava') com o pronome apassivador/índice de indeterminação do sujeito 'se'.
Evolução no Português
Idade Média - Século XIX - A estrutura 'verbo + se' se consolida no português, com 'começava-se' sendo utilizada para expressar ações que se iniciavam de forma impessoal ou reflexiva. O uso era comum na escrita formal e informal.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX - Atualidade - A forma 'começava-se' mantém seu uso gramaticalmente correto, mas em contextos informais e na fala cotidiana, é frequentemente substituída por construções como 'estava começando', 'começou a' ou simplesmente 'começava'. A forma com 'se' apassivador ou de indeterminação é mais comum em textos formais, literários ou em discursos que buscam um tom mais erudito ou impessoal.
Forma verbal do verbo 'começar' (do latim vulgar *cominitiare*) com o pronome 'se'.