Palavras

comunicamo-nos

Derivado do verbo 'comunicar' (latim 'communicare') + pronome 'nós'.

Origem

Latim

Deriva do verbo latino 'communicare', que significa 'tornar comum', 'compartilhar', 'participar'. O sufixo '-amos' indica a primeira pessoa do plural do presente do indicativo, e '-nos' é o pronome oblíquo átono reflexivo ou recíproco.

Mudanças de sentido

Português Arcaico/Clássico

Estabelecer contato, partilhar informações, dialogar entre um grupo.

Atualidade

O sentido fundamental de 'estabelecer comunicação' permanece, mas a forma verbal específica 'comunicamo-nos' é menos frequente na fala popular brasileira, sendo mais comum em registros formais ou literários. O conceito de comunicação em si se expandiu enormemente com as tecnologias digitais.

A expansão das mídias sociais e das ferramentas de comunicação instantânea (mensagens, chats, videoconferências) ampliou as formas e a velocidade com que 'nos comunicamos', mas a estrutura gramatical 'comunicamo-nos' não acompanhou essa popularização, mantendo-se em nichos de uso mais restrito.

Primeiro registro

Século XIII/XIV

Registros em textos literários e documentos legais do português arcaico, onde a ênclise era a norma padrão para a colocação pronominal. Exemplos podem ser encontrados em crônicas e obras poéticas da época.

Momentos culturais

Período Clássico da Literatura Portuguesa

A forma 'comunicamo-nos' era recorrente em obras de autores como Camões, refletindo a norma culta da época e a expressividade da língua.

Era da Imprensa e do Rádio

Utilizada em discursos e textos jornalísticos formais, reforçando a ideia de comunicação coletiva e oficial.

Conflitos sociais

Século XX/XXI

A preferência pela próclise ('nós nos comunicamos') em detrimento da ênclise ('comunicamo-nos') em contextos informais gerou debates sobre a 'correção' gramatical e a 'degradação' da língua, especialmente no Brasil, onde a variação linguística é acentuada. A forma 'comunicamo-nos' passou a ser vista por alguns como pedante ou excessivamente formal em certos contextos.

Vida emocional

Português Clássico

Associada à erudição, formalidade e à expressão de um coletivo unido.

Atualidade

Pode evocar um senso de formalidade, academicismo ou até mesmo um certo distanciamento em relação à linguagem coloquial e imediata, que predomina nas interações digitais.

Vida digital

Atualidade

A forma 'comunicamo-nos' é raramente encontrada em publicações digitais informais. Em plataformas como Twitter, Instagram ou TikTok, a comunicação é expressa por formas mais curtas, emojis, gírias ou pela estrutura 'nós nos comunicamos'. A busca por 'comunicamo-nos' em motores de busca provavelmente se relaciona a dúvidas gramaticais ou à procura por exemplos de uso formal.

Representações

Novelas e Filmes (Registros Formais)

Pode aparecer em diálogos de personagens em posições de autoridade, em contextos acadêmicos, jurídicos ou em cenas que retratam épocas passadas ou ambientes muito formais, para caracterizar a fala da época ou do personagem.

Comparações culturais

Séculos XIV a XXI

Inglês: A forma equivalente em inglês seria 'we communicate', onde a colocação do pronome é fixa antes do verbo. Não há uma estrutura com ênclise como no português. Espanhol: O espanhol utiliza 'nos comunicamos', onde o pronome 'nos' precede o verbo ('comunicamos'), seguindo uma regra de próclise mais geral. O português brasileiro, ao manter a ênclise em 'comunicamo-nos', difere dessas duas línguas em termos de colocação pronominal em contextos formais.

Origem Latina e Formação do Verbo

Século XIII - O verbo 'comunicar' deriva do latim 'communicare', que significa 'tornar comum', 'compartilhar', 'participar'. A forma 'comunicamo-nos' é a primeira pessoa do plural do presente do indicativo, com o pronome oblíquo átono 'nos' em ênclise, uma construção comum no português arcaico e clássico.

Português Arcaico e Clássico

Séculos XIV a XVIII - A forma 'comunicamo-nos' era amplamente utilizada na escrita e na fala culta, refletindo a norma gramatical da época que favorecia a ênclise (pronome após o verbo). O sentido era o de 'estabelecer contato ou partilhar informações entre um grupo'.

Mudança Gramatical e Uso Moderno

Séculos XIX a XXI - Com a evolução da língua e a influência de outras línguas (como o francês e, posteriormente, o inglês), a próclise (pronome antes do verbo) tornou-se mais frequente no português brasileiro, especialmente em início de frase ou após certas palavras. No entanto, a ênclise em 'comunicamo-nos' ainda é gramaticalmente correta e utilizada em contextos formais, literários ou para dar ênfase à ação do grupo.

Uso Contemporâneo e Digital

Atualidade - A forma 'comunicamo-nos' é menos comum na fala cotidiana e na escrita informal brasileira, onde se prefere 'nós nos comunicamos' ou, em contextos mais informais, 'a gente se comunica'. Contudo, mantém sua validade em textos formais, acadêmicos, literários e em situações que exigem um registro mais polido. Na era digital, a necessidade de comunicação é constante, mas a forma verbal específica 'comunicamo-nos' raramente aparece em interações rápidas ou em redes sociais, sendo substituída por formas mais sintéticas ou pela linguagem de aplicativos.

comunicamo-nos

Derivado do verbo 'comunicar' (latim 'communicare') + pronome 'nós'.

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