corrigem-se
Do latim 'corrigere'.
Origem
Deriva do latim 'corrigere', que significa 'endireitar', 'emendar', 'retificar', 'corrigir'. O pronome 'se' é um pronome oblíquo átono que, em ênclise, indica reflexividade ou indeterminação do sujeito.
Mudanças de sentido
O sentido primário de 'emendar erros', 'retificar falhas' ou 'aperfeiçoar algo/a si mesmo' é mantido desde a origem. Não houve grandes ressignificações semânticas para a forma verbal em si, mas o contexto de uso evoluiu.
A palavra 'corrigem-se' em si mantém seu sentido literal. No entanto, o conceito de 'correção' e 'aperfeiçoamento' (representado pela forma verbal) tem sido cada vez mais aplicado em contextos de desenvolvimento pessoal, autoajuda e inteligência emocional, onde 'corrigir-se' pode significar lidar com traumas, melhorar hábitos ou buscar o autoconhecimento.
Em discursos contemporâneos de bem-estar e produtividade, a ideia de 'se corrigir' pode ser vista como um processo contínuo de melhoria, não apenas de erros factuais, mas de aspectos comportamentais e emocionais. A forma 'corrigem-se' aparece em manuais, artigos e palestras sobre esses temas.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico, como as cantigas galego-portuguesas e documentos administrativos, já apresentam a estrutura verbal com pronome em ênclise, indicando o uso da forma 'corrigem-se' ou similares em contextos afirmativos.
Momentos culturais
Autores como Machado de Assis e José de Alencar utilizavam a forma 'corrigem-se' em suas obras, refletindo a norma culta da época e a riqueza da língua portuguesa em narrativas e diálogos formais.
A forma 'corrigem-se' era ensinada nas escolas como o padrão gramatical correto, sendo um exemplo de aplicação da regra de ênclise em verbos na terceira pessoa do plural.
Conflitos sociais
O conflito reside na dicotomia entre a norma culta e a linguagem coloquial. Enquanto 'corrigem-se' é a forma prescrita em contextos formais, a fala cotidiana no Brasil tende a preferir a próclise ('se corrigem'), gerando debates sobre o 'certo' e o 'errado' na língua e a democratização do uso linguístico.
Vida emocional
A palavra 'corrigem-se' carrega um peso de formalidade e correção. Pode evocar sentimentos de disciplina, aprendizado, autocrítica, mas também de rigidez e conformidade. Em contextos de autoajuda, pode ser associada à esperança de melhoria e superação.
Vida digital
Em plataformas digitais, a forma 'corrigem-se' aparece predominantemente em artigos de blogs sobre gramática, sites de notícias, publicações acadêmicas e em conteúdos que visam ensinar ou reforçar a norma culta. A forma 'se corrigem' é mais prevalente em redes sociais e conversas informais.
Buscas por 'corrigem-se' geralmente estão relacionadas a dúvidas gramaticais, conjugação verbal ou exemplos de uso em frases formais.
Representações
Em filmes, séries e novelas brasileiras, a forma 'corrigem-se' é utilizada por personagens que representam autoridade, educação formal, ou em cenas que demandam um registro linguístico mais elevado. Personagens mais cultos ou em situações formais podem empregar a ênclise.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - O verbo 'corrigir' deriva do latim 'corrigere', que significa 'endireitar', 'emendar', 'retificar'. A forma 'corrigem-se' é uma construção gramatical que se desenvolveu com a evolução do latim vulgar para o português arcaico, combinando o verbo com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma característica comum na sintaxe portuguesa antiga.
Uso no Português Arcaico e Colonial
Séculos XV-XVIII - A estrutura 'corrigem-se' já era utilizada na escrita e na fala, seguindo as normas gramaticais da época. A ênclise era a posição preferencial do pronome oblíquo após o verbo, especialmente em frases afirmativas e sem elementos que forçassem a próclise. O sentido era estritamente o de 'emendar', 'retificar' ou 'aperfeiçoar' algo ou a si mesmo.
Consolidação no Português Brasileiro
Séculos XIX-XX - Com a consolidação do português brasileiro, a forma 'corrigem-se' manteve seu uso formal e gramaticalmente correto. A norma culta brasileira, influenciada pela gramática normativa, continuou a prescrever a ênclise em contextos apropriados, embora a próclise tenha ganhado espaço na fala coloquial.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XXI - 'Corrigem-se' é a forma gramaticalmente correta na terceira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo 'corrigir' com o pronome 'se' em ênclise. É encontrada em textos formais, acadêmicos, literários e em contextos onde a norma culta é priorizada. Na linguagem coloquial, a próclise ('se corrigem') é mais comum, mas 'corrigem-se' permanece como um marcador de formalidade e correção gramatical.
Do latim 'corrigere'.