dadas-como-certas
Expressão formada a partir do particípio passado do verbo 'dar' e da preposição 'como' seguida do adjetivo 'certo'.
Origem
Deriva da locução verbal 'dar como certo', que significa considerar algo como verdadeiro ou provado. 'Dadas' é o particípio passado feminino plural de 'dar', concordando com um substantivo feminino implícito (ex: 'as premissas', 'as informações'). A construção é analítica e baseada na gramática do português.
Mudanças de sentido
Inicialmente, referia-se a fatos ou premissas aceitas em argumentações lógicas ou científicas. Com o tempo, passou a abranger qualquer informação, crença ou situação que é aceita sem verificação, muitas vezes por conveniência ou falta de atenção.
A expressão adquire um tom crítico, frequentemente associada à desinformação e à superficialidade com que as pessoas consomem notícias e conteúdos online. Pode implicar ingenuidade ou complacência.
Em debates sobre 'fake news' e pós-verdade, 'dadas como certas' é usada para descrever a disseminação e aceitação de informações falsas ou distorcidas, que se tornam 'verdades' para muitos sem qualquer escrutínio. A velocidade da internet acelera esse processo.
Primeiro registro
Registros em jornais e literatura do século XIX indicam o uso da locução 'dar como certo' e suas variações, consolidando a estrutura que leva à expressão 'dadas como certas'.
Momentos culturais
A expressão é recorrente em artigos de opinião, debates políticos e discussões sobre mídia e sociedade, especialmente em plataformas digitais e programas de TV.
Conflitos sociais
A expressão está intrinsecamente ligada ao conflito social da desinformação, onde a aceitação acrítica de narrativas (dadas como certas) pode polarizar a sociedade e influenciar decisões políticas e comportamentais.
Vida emocional
A expressão carrega um peso de crítica e, por vezes, de desdém. Associada à falta de pensamento crítico, ingenuidade ou até mesmo a uma forma de preguiça mental. Pode evocar sentimentos de frustração ou preocupação com a qualidade da informação.
Vida digital
Frequentemente utilizada em posts de redes sociais, artigos de blogs e comentários para alertar sobre a disseminação de 'fake news' ou informações não verificadas. Aparece em discussões sobre checagem de fatos e alfabetização midiática.
Pode ser usada em memes ou em tom irônico para comentar a rapidez com que certas ideias ou boatos se espalham e são aceitos online.
Representações
Presente em roteiros de telejornais, documentários sobre mídia, séries e filmes que abordam temas como manipulação da informação, política e comportamento social.
Comparações culturais
Inglês: 'taken for granted' (aceito sem questionamento, muitas vezes com conotação de desvalorização). Espanhol: 'dado por sentado' ou 'por sentado' (similar ao inglês, aceito sem reflexão). Francês: 'tenu pour acquis' (mantido como adquirido, aceito sem prova). O conceito de aceitar algo sem verificação é universal, mas a construção gramatical varia.
Relevância atual
A expressão mantém alta relevância no contexto brasileiro, especialmente em discussões sobre a veracidade da informação, o impacto das redes sociais na formação de opinião e a necessidade de pensamento crítico em uma sociedade saturada de conteúdo.
Formação da Expressão
Século XIX - Início da consolidação do português brasileiro como língua distinta. A expressão 'dadas como certas' surge como uma construção analítica a partir de 'dar' e 'certo'.
Consolidação e Uso
Século XX - A expressão se populariza em contextos formais e informais, indicando aceitação sem questionamento, especialmente em debates, notícias e análises.
Era Digital e Ressignificação
Século XXI - A expressão ganha novas nuances com a velocidade da informação e a proliferação de 'fake news', sendo usada para criticar a aceitação acrítica de informações.
Expressão formada a partir do particípio passado do verbo 'dar' e da preposição 'como' seguida do adjetivo 'certo'.