dar-por

Combinação do verbo 'dar' com a preposição 'por'.

Origem

Séculos XV-XVI

A locução verbal 'dar por' origina-se da junção do verbo 'dar' (do latim 'dare', significando ceder, entregar, atribuir) com a preposição 'por' (do latim 'pro', indicando causa, meio, finalidade). A combinação evoluiu para expressar a ideia de atribuir um valor, um julgamento ou uma percepção a algo ou alguém. Possíveis influências de construções latinas como 'dare pro certo' (dar por certo).

Mudanças de sentido

Séculos XVII-XVIII

Inicialmente, o sentido predominante era 'considerar', 'julgar' ou 'ter por'. Exemplo: 'dar por vencido' (considerar vencido).

Neste período, a locução já demonstrava a capacidade de atribuir um estado ou qualidade a algo. O uso era mais formal e ligado a decisões ou avaliações.

Séculos XIX-XX

Expansão para 'perceber', 'entender', 'dar-se conta'. Exemplo: 'dar por falta' (perceber a ausência), 'dar por si' (dar-se conta de algo).

A locução começa a abranger a ideia de tomada de consciência, de perceber uma situação ou um fato. O uso se torna mais flexível e comum na linguagem falada.

Século XXI

Consolidação dos sentidos de 'considerar', 'julgar', 'perceber' e 'dar-se conta', com ênfase na percepção e na tomada de consciência.

A locução é amplamente utilizada na comunicação cotidiana, tanto em contextos formais quanto informais. O sentido de 'dar-se conta' é particularmente proeminente. Ex: 'De repente, dei por mim que estava atrasado.' (corpus_girias_regionais.txt)

Primeiro registro

Século XVI

Registros em textos literários e documentos administrativos que indicam o uso da locução com o sentido de 'considerar' ou 'julgar'. (Referência genérica a corpus de português arcaico).

Momentos culturais

Século XIX

Presença em obras literárias realistas e naturalistas, retratando a percepção e o julgamento de personagens sobre a realidade social. (Ex: Machado de Assis, em obras como 'Memórias Póstumas de Brás Cubas', pode conter usos da locução).

Século XX

Uso frequente em telenovelas e músicas populares, refletindo a linguagem falada e as interações cotidianas. Ex: 'Dei por mim que te amava demais.'

Vida digital

Anos 2000 - Atualidade

A locução 'dar por' é comum em fóruns online, redes sociais e aplicativos de mensagens, especialmente nas formas 'dar por si' e 'dar por conta'. É frequentemente usada em narrativas pessoais e relatos de experiências.

Anos 2010 - Atualidade

Pode aparecer em memes e conteúdos virais que descrevem momentos de epifania ou de percepção súbita. Ex: 'Quando você dá por si e já é segunda-feira.'

Comparações culturais

Atualidade

Inglês: 'to realize', 'to notice', 'to consider', 'to deem'. Espanhol: 'darse cuenta', 'considerar', 'juzgar'. Francês: 'se rendre compte', 'considérer'. Italiano: 'accorgersi', 'considerare'.

Relevância atual

Século XXI

A locução 'dar por' mantém sua relevância na língua portuguesa brasileira como uma forma idiomática e expressiva de indicar percepção, julgamento e tomada de consciência. Sua presença é constante na comunicação oral e escrita, demonstrando vitalidade e adaptabilidade aos novos contextos de uso, incluindo o digital. (corpus_girias_regionais.txt)

Origem e Formação

Séculos XV-XVI — Formação da locução verbal a partir do verbo 'dar' e da preposição 'por', com base em usos latinos e influências do português arcaico.

Consolidação de Sentido

Séculos XVII-XVIII — Estabelecimento dos sentidos de 'considerar', 'julgar' e 'perceber', com registros em textos literários e administrativos.

Expansão e Variação de Uso

Séculos XIX-XX — Ampliação do uso para 'dar-se conta', 'entender', 'reconhecer', com maior frequência em contextos informais e regionais.

Uso Contemporâneo

Séculos XXI — Manutenção dos sentidos consolidados, com forte presença na fala cotidiana e em registros digitais, frequentemente associado à percepção e à tomada de consciência.

dar-por

Combinação do verbo 'dar' com a preposição 'por'.

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