davam-se
Derivado do verbo latino 'dare'.
Origem
Deriva do verbo latino 'dare' (dar) e do pronome reflexivo latino 'se'. A conjugação no pretérito imperfeito ('davam') é uma evolução natural das formas verbais latinas para o português.
Mudanças de sentido
O sentido primário de 'dar' (transferir posse, oferecer) se mantém. A adição do 'se' introduz a noção de reflexividade (a ação volta para o sujeito, ex: 'eles se davam bem') ou reciprocidade (a ação é mútua entre os sujeitos, ex: 'os amigos se davam'). Em construções impessoais, o 'se' indica uma ação genérica, sem sujeito definido (ex: 'davam-se por satisfeitos'). Não houve grandes ressignificações semânticas para a forma verbal em si, mas sim a consolidação de seus usos gramaticais.
A construção 'dar-se por' (ex: 'davam-se por vencidos') é um uso idiomático que se consolidou ao longo do tempo, indicando a manifestação de um estado ou sentimento. O sentido de 'dar-se bem/mal' com alguém (ter boa/má relação) é uma expressão idiomática comum.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português, como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português), já apresentam estruturas verbais com o pronome 'se' em conjugações similares, indicando a antiguidade da construção. A forma exata 'davam-se' aparece em textos posteriores.
Momentos culturais
Presente em obras de Machado de Assis, José de Alencar e outros, onde a forma verbal é utilizada para descrever relações interpessoais e estados de espírito dos personagens. Ex: 'Os irmãos se davam bem'.
A expressão 'se dar bem' ou 'se dar mal' é recorrente em letras de música, refletindo o uso coloquial e idiomático da forma verbal. Ex: 'Eles se davam, mas não se amavam'.
Comparações culturais
Inglês: A tradução mais próxima para a ideia de 'eles se davam bem' seria 'they got along well' ou 'they had a good relationship'. A estrutura reflexiva/recíproca em inglês é expressa por pronomes reflexivos ('themselves') ou por construções verbais específicas, não por uma partícula como o 'se'. Espanhol: 'se daban' (pretérito imperfeito do indicativo de 'darse') ou 'se daban bien' para 'eles se davam bem'. A estrutura é muito similar devido à origem latina comum. Francês: 'ils se donnaient' (pretérito imperfeito do indicativo de 'se donner'), com o 'se' funcionando de forma análoga ao português e espanhol para reflexividade e reciprocidade.
Relevância atual
A forma 'davam-se' continua sendo uma construção gramatical fundamental no português brasileiro, utilizada em todos os registros linguísticos. Sua presença em narrativas, diálogos e textos diversos demonstra sua vitalidade e adequação para expressar relações e estados.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — A forma 'davam-se' deriva do verbo latino 'dare' (dar), com a adição do pronome reflexivo 'se', que já existia em latim vulgar e se consolidou nas línguas românicas. A conjugação no pretérito imperfeito do indicativo ('davam') é uma herança direta do latim.
Consolidação no Português Antigo e Clássico
Séculos XIV-XVIII — A estrutura 'verbo + se' (davam-se) já era comum na sintaxe do português antigo, refletindo o uso do pronome clítico. Era empregada em diversos contextos, tanto para ações reflexivas quanto recíprocas, e em construções impessoais.
Uso no Português Brasileiro Moderno
Século XIX - Atualidade — A forma 'davam-se' mantém sua função gramatical e semântica no português brasileiro. É amplamente utilizada na escrita formal e informal, em narrativas literárias, jornalísticas e na fala cotidiana, mantendo a dualidade de sentido reflexivo/recíproco e a possibilidade de uso impessoal.
Derivado do verbo latino 'dare'.