demorar-se-ia
Derivado do verbo 'demorar' (latim 'demorari') + pronome oblíquo 'se' + desinência de futuro do pretérito 'ia'.
Origem
Do latim 'demorari', que significa 'atrasar-se', 'deter-se', 'ficar para trás'.
Mudanças de sentido
Expressava uma ação hipotética que se prolongaria ou ocorreria em um tempo passado, mas que foi impedida ou não se concretizou. O sentido principal era de 'teria ficado retido' ou 'teria se atrasado'.
Mantém o sentido de uma ação hipotética não realizada no passado, mas o uso da forma verbal é considerado arcaico e formal.
A ideia central é a de uma contingência passada: 'Se as condições fossem outras, a pessoa se demorar-se-ia naquele lugar por mais tempo'.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses e galegos, como as Cantigas de Santa Maria, onde a estrutura com pronome posposto era comum. A forma exata 'demorar-se-ia' pode aparecer em documentos notariais, crônicas e literatura da época.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas portuguesas, como as de Camões, onde a sintaxe e a morfologia do português arcaico eram a norma. A forma 'demorar-se-ia' seria utilizada em contextos de narrativa histórica ou poética.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura correspondente seria uma forma condicional com pronome posposto, que não existe no inglês moderno. O mais próximo seria 'would have lingered' ou 'would have been delayed', mas sem a marca gramatical de pronome posposto. Espanhol: O espanhol moderno usa o pronome antes do verbo ('se demoraría') ou, em contextos muito formais ou literários, pode-se encontrar a forma com pronome posposto ('demoraríase'), similar à estrutura arcaica do português. Francês: O francês moderno usa o pronome antes do verbo ('se serait attardé'). A forma com pronome posposto é inexistente.
Relevância atual
No Brasil, a forma 'demorar-se-ia' é considerada um arcaísmo gramatical. Sua relevância reside no estudo da história da língua portuguesa e na análise de textos antigos. No uso corrente, a forma 'se demoraria' é a única aceita e natural. A palavra em si, 'demorar', continua sendo de uso cotidiano, mas a conjugação específica 'demorar-se-ia' é um marcador de um registro linguístico muito específico e raro.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'demorar' origina-se do latim 'demorari', que significa 'atrasar-se', 'deter-se', 'ficar para trás'. A forma 'demorar-se-ia' é uma conjugação verbal no futuro do pretérito (condicional simples) da terceira pessoa do plural, com o pronome oblíquo átono 'se' posposto. Essa estrutura, com o pronome após o verbo, era comum no português arcaico e medieval.
Evolução no Português Arcaico e Clássico
Idade Média a Século XVII - A forma 'demorar-se-ia' era utilizada em contextos literários e formais para expressar uma ação que, hipoteticamente, se prolongaria ou se realizaria em um tempo passado, mas que, por alguma razão, não ocorreu ou foi impedida. O uso do pronome 'se' posposto ao verbo era a norma gramatical da época. Exemplo: 'Se ele tivesse chegado a tempo, não se demorar-se-ia tanto.'
Mudança Gramatical e Uso Moderno
Século XVIII em diante - Com a evolução da gramática normativa do português, a próclise (pronome antes do verbo) tornou-se mais comum, especialmente em inícios de frase e em contextos informais. A forma 'se demoraria' passou a ser a preferencial. A forma 'demorar-se-ia' tornou-se arcaica e restrita a registros muito formais, literários ou a um estilo deliberadamente antigo. No português brasileiro contemporâneo, seu uso é extremamente raro e soa artificial.
Uso Contemporâneo no Brasil
Atualidade - A forma 'demorar-se-ia' é praticamente inexistente no português brasileiro falado e escrito informalmente. Seu uso é restrito a textos acadêmicos sobre linguística histórica, estudos de português arcaico, ou em obras literárias que buscam emular um estilo de época. A forma mais comum e natural para expressar a ideia é 'se demoraria'.
Derivado do verbo 'demorar' (latim 'demorari') + pronome oblíquo 'se' + desinência de futuro do pretérito 'ia'.