desagradamo-nos

Des- (prefixo de negação) + agradar (verbo) + nos (pronome oblíquo átono reflexivo).

Origem

Latim

Deriva do latim 'ad gradare' (subir, elevar-se) com o prefixo de negação 'des-' e o pronome reflexivo 'nos'.

Mudanças de sentido

Português Arcaico

Expressava um estado de insatisfação ou descontentamento consigo mesmo, com a forma verbal 'desagradar' seguida do pronome reflexivo 'nos' em ênclise.

Português Moderno (Brasil)

A forma 'desagradamo-nos' é raramente usada. O sentido de não agradar a si mesmo é transmitido por outras construções como 'nos desagradamos' (próclise) ou frases explicativas como 'não nos sentimos bem conosco'.

Primeiro registro

Século XIII

Registros em textos literários e religiosos do português arcaico, onde a ênclise era a norma gramatical predominante. (Referência: corpus_textos_arcaicos.txt)

Momentos culturais

Séculos XIV-XVIII

Presente em obras literárias que exploravam a introspecção e o conflito interior, como em textos de cunho moral e religioso. (Referência: literatura_portuguesa_medieval.txt)

Vida emocional

Português Arcaico

Associada a sentimentos de autocrítica, remorso, ou um profundo descontentamento com as próprias ações ou estado de espírito.

Atualidade

A forma 'desagradamo-nos' evoca um sentimento de arcaísmo e formalidade, podendo ser percebida como pedante ou excessivamente literária em contextos informais.

Comparações culturais

Inglês: A construção reflexiva com ênclise é rara no inglês moderno. O sentido seria expresso por 'we displease ourselves' ou 'we are displeased with ourselves', onde a ordem das palavras é fixa. Espanhol: O espanhol utiliza pronomes reflexivos com verbos como 'desagradar' ('nos desagradamos'), mas a ênclise como no português arcaico não é uma característica gramatical comparável. Francês: Similar ao espanhol, o francês usa pronomes reflexivos ('nous nous déplaisons'), mas a estrutura de ênclise é inexistente.

Relevância atual

Atualidade

A forma 'desagradamo-nos' possui relevância histórica e gramatical, sendo um marcador de um estágio anterior da língua portuguesa. Seu uso contemporâneo no Brasil é restrito a contextos acadêmicos, literários ou para evocar um tom deliberadamente arcaico ou formal. O conceito de desagradar a si mesmo, contudo, permanece vivo e é expresso por outras construções.

Origem Latina e Formação

Século XIII - O verbo 'agradar' deriva do latim 'ad gradare', que significa 'subir', 'elevar-se', 'chegar a um ponto'. O prefixo 'des-' indica negação ou oposição. O pronome reflexivo 'nos' indica que a ação recai sobre o sujeito. A forma 'desagradamo-nos' é uma construção gramatical que remonta ao português arcaico, onde a ênclise (pronome após o verbo) era comum.

Evolução do Uso e Gramática

Séculos XIV-XVIII - A forma 'desagradamo-nos' era utilizada em textos literários e religiosos, refletindo um estado de insatisfação ou descontentamento consigo mesmo. A gramática normativa posterior, especialmente a partir do século XVIII, passou a preferir a próclise (pronome antes do verbo) em muitos contextos, tornando 'nos desagradamos' a forma mais comum em Portugal e, posteriormente, no Brasil.

Uso Contemporâneo e Ressignificação

Século XX-Atualidade - A forma 'desagradamo-nos' é raramente utilizada na comunicação corrente no Brasil, sendo considerada arcaica ou excessivamente formal. O sentido de não agradar a si mesmo é expresso por outras construções, como 'nos sentimos insatisfeitos', 'não nos sentimos bem conosco', ou simplesmente 'nos desagradamos'. A palavra em si, 'desagradar', mantém seu sentido de causar descontentamento, mas a construção reflexiva com ênclise é o que marca a especificidade histórica.

desagradamo-nos

Des- (prefixo de negação) + agradar (verbo) + nos (pronome oblíquo átono reflexivo).

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