descobrem-se
Verbo 'descobrir' + pronome oblíquo átono 'se'.
Origem
Deriva do latim 'discooperire', composto por 'dis-' (separação, negação) e 'cooperire' (cobrir), significando literalmente 'tirar a cobertura', 'revelar'.
A forma 'descobrem-se' é a terceira pessoa do plural do presente do indicativo do verbo 'descobrir' acrescida do pronome oblíquo átono 'se' em ênclise (posição após o verbo), característica da sintaxe do português arcaico e formal.
Mudanças de sentido
Sentido literal de 'revelar', 'desvendar', 'encontrar algo oculto'.
O sentido principal de 'revelar' ou 'encontrar' permanece, mas o uso da forma 'descobrem-se' é mais restrito a contextos gramaticais específicos, mantendo um tom mais formal ou literário.
A forma 'se descobrem' ganhou proeminência no português brasileiro informal, enquanto 'descobrem-se' é preservada em textos acadêmicos, literários e em situações que exigem a ênclise, como após vírgulas ou em início de orações subordinadas específicas.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como crônicas e documentos legais, onde a ênclise era a norma. A forma exata 'descobrem-se' aparece em textos que datam deste período e posteriores, refletindo o uso gramatical da época.
Momentos culturais
A palavra e suas variações eram centrais para descrever as descobertas geográficas. Ex: 'Novos continentes se descobrem'.
Presente em obras literárias de Camões, Machado de Assis e outros, onde a ênclise era estilisticamente valorizada. Ex: 'Os segredos da alma se descobrem'.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura equivalente seria 'they discover themselves' (reflexivo) ou 'they are discovered' (passivo). A forma 'descobrem-se' em português pode ter nuances de ambos, dependendo do contexto. Espanhol: 'se descubren' (próclise é a norma geral, similar ao português brasileiro informal). Francês: 'ils se découvrent' (próclise é a norma). Alemão: 'sie entdecken sich' (reflexivo) ou 'sie werden entdeckt' (passivo).
Relevância atual
No português brasileiro contemporâneo, 'descobrem-se' é predominantemente usada em contextos formais, acadêmicos e literários, onde a ênclise é gramaticalmente requerida ou estilisticamente preferida. Em conversas informais, a forma 'se descobrem' é muito mais comum.
A distinção entre o uso formal ('descobrem-se') e informal ('se descobrem') reflete a variação linguística e a influência da norma culta versus a fala cotidiana no Brasil.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'descobrir' tem origem no latim 'discooperire', que significa 'tirar o que cobre', 'revelar'. A forma 'descobrem-se' surge da junção da terceira pessoa do plural do presente do indicativo ('descobrem') com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma construção comum no português arcaico e medieval.
Evolução e Uso na Língua Portuguesa
Idade Média a Século XIX - A estrutura 'verbo + se' em ênclise era predominante. 'Descobrem-se' era usado em contextos formais e informais para indicar que algo era revelado ou encontrado, sem necessariamente um agente explícito. Ex: 'Novas terras se descobrem'.
Transformação e Uso Contemporâneo
Século XX e Atualidade - Com a simplificação da gramática e a preferência pela próclise (pronome antes do verbo) em muitos contextos, especialmente no Brasil, a forma 'se descobrem' torna-se mais comum em falas informais. No entanto, 'descobrem-se' mantém-se em textos formais, literários e em contextos onde a ênclise é gramaticalmente exigida (início de frase, após certas conjunções).
Verbo 'descobrir' + pronome oblíquo átono 'se'.