desconhecendo-se
Des- (prefixo de negação) + conhecer + se (pronome oblíquo átono).
Origem
Deriva do verbo 'conhecer' (latim 'cognoscere') com o prefixo de negação 'des-' e o pronome reflexivo/indeterminado 'se'.
Mudanças de sentido
O sentido central de 'não ter conhecimento' ou 'não ter ciência' permaneceu inalterado. A principal mudança reside na variação do uso da ênclise ('desconhecendo-se') versus a próclise ('se desconhecendo') e a preferência por construções mais simples na linguagem informal.
A estrutura 'desconhecendo-se' é gramaticalmente correta e preferida em textos formais, especialmente em início de frase ou após vírgula, seguindo a norma culta do português. A tendência à próclise ('se desconhecendo') é mais comum em contextos informais ou quando há palavras atrativas (próclise obrigatória).
Primeiro registro
Registros em textos jurídicos e literários medievais em português, como as Ordenações do Reino, já utilizavam a estrutura verbal com pronome enclítico.
Momentos culturais
Presente em obras literárias do Romantismo e Realismo, como em Machado de Assis, onde a forma ênclítica era a norma padrão.
Utilizado em documentos legais e acadêmicos que moldaram a sociedade brasileira, como constituições e teses, mantendo a formalidade da expressão.
Conflitos sociais
A tensão entre a norma culta (ênclise) e a linguagem falada/informal (próclise ou outras construções) reflete um conflito social entre o prestígio da gramática tradicional e a democratização da linguagem, especialmente com o advento da internet e das redes sociais.
Vida emocional
A expressão 'desconhecendo-se' carrega um peso de formalidade e, por vezes, de distanciamento. Pode evocar uma sensação de obscuridade ou de falta de informação deliberada em contextos legais ou burocráticos.
Vida digital
Na internet, a forma 'desconhecendo-se' é rara em posts informais, sendo mais comum em artigos de notícias, blogs acadêmicos ou documentos compartilhados. A tendência é o uso de 'se desconhecendo' ou frases como 'sem saber'.
Buscas por 'desconhecendo-se' geralmente remetem a dúvidas gramaticais sobre a colocação pronominal ou a textos formais.
Representações
Presente em diálogos de novelas, filmes e séries que retratam personagens em situações formais, jurídicas ou acadêmicas, onde a linguagem culta é esperada.
Comparações culturais
Inglês: 'not knowing' ou 'being unaware of'. Espanhol: 'desconociéndose' (com estrutura similar de gerúndio e pronome enclítico, também formal). Francês: 's'ignorant' ou 'sans savoir'. Italiano: 'ignorando' ou 'non sapendo'.
Relevância atual
A relevância de 'desconhecendo-se' reside em sua manutenção como marcador de formalidade e precisão gramatical na norma culta do português brasileiro. É uma forma que distingue a linguagem escrita e falada formal da informal, sendo essencial em contextos que exigem rigor linguístico.
Origem Etimológica e Formação
Século XIII - O verbo 'conhecer' deriva do latim 'cognoscere' (saber, conhecer), que por sua vez vem de 'gnoscere' (saber). O prefixo 'des-' indica negação ou oposição. A forma 'desconhecendo-se' é a forma verbal no gerúndio, com o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, indicando reflexividade ou indeterminação do sujeito. A construção é típica do português arcaico e se mantém na norma culta.
Evolução e Entrada na Língua
Idade Média - Século XIX: A forma 'desconhecendo-se' já estava consolidada na língua portuguesa, utilizada em documentos legais, literários e cotidianos para expressar a ausência de conhecimento ou ciência sobre algo. Sua estrutura gramatical permaneceu estável.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX - Atualidade: A expressão 'desconhecendo-se' continua em uso na norma culta, especialmente em contextos formais como textos jurídicos, acadêmicos e jornalísticos. No entanto, em contextos informais e na linguagem digital, a tendência é a próclise ('se desconhecendo') ou a substituição por formas mais simples como 'sem saber' ou 'sem ter ciência'.
Des- (prefixo de negação) + conhecer + se (pronome oblíquo átono).