desviar-nos-emos
Derivado do verbo 'desviar' (do latim 'disviare') + pronome oblíquo 'nos' + desinência de futuro do subjuntivo '-emos'.
Origem
Deriva do latim 'deviare', composto por 'de-' (afastamento, separação) e 'viare' (seguir caminho, viajar). O sentido original é 'sair do caminho', 'desviar-se do trajeto'.
A formação 'desviar-nos-emos' é resultado da conjugação do verbo 'desviar' na primeira pessoa do plural do futuro do subjuntivo ('desviaremos') com o pronome oblíquo átono 'nos' em posição enclítica, seguindo a sintaxe do português arcaico.
Mudanças de sentido
O sentido primário é literal: sair de um caminho físico, mudar de rota. Ex: 'Se não nos desviarmos da estrada, chegaremos logo.'
Ao longo do tempo, o sentido figurado se desenvolveu para abranger a ideia de afastar-se de um propósito, intenção, norma, ou comportamento. Ex: 'Esperamos que eles não se desviem de seus princípios.'
A principal 'mudança' associada a esta forma verbal não é de sentido, mas sim de sua aceitação e uso gramatical, que se tornou obsoleto na norma culta brasileira.
Primeiro registro
Registros de formas verbais com ênclise pronominal, incluindo o futuro do subjuntivo, são encontrados em textos medievais portugueses, como as Cantigas de Santa Maria (século XIII) e obras de Dom Dinis. A forma exata 'desviar-nos-emos' pode aparecer em documentos mais tardios, mas a estrutura é medieval.
Momentos culturais
A forma era comum em obras literárias dos séculos XVI a XVIII, como as de Camões e Padre Antônio Vieira, refletindo a norma gramatical da época.
A partir do século XIX, gramáticos como Domingos Vieira e, posteriormente, a influência da gramática brasileira, começaram a registrar a preferência pela próclise, marcando o declínio do uso da ênclise em muitos casos, especialmente no Brasil.
Comparações culturais
Inglês: O inglês moderno não possui uma conjugação verbal tão complexa com pronomes enclíticos. A ideia de 'we will deviate' seria expressa de forma mais direta, sem a junção de pronome ao verbo. Espanhol: O espanhol também utiliza a ênclise em certas formas verbais (ex: 'nos desviaremos'), mas a conjugação do futuro do subjuntivo é diferente e a tendência à próclise também existe em alguns contextos. O português brasileiro se distingue pela forte preferência pela próclise em detrimento da ênclise em muitas situações onde o espanhol ou o português europeu ainda a usariam.
Relevância atual
No português brasileiro contemporâneo, a forma 'desviar-nos-emos' é considerada arcaica e raramente utilizada. A norma culta prefere 'nos desviaremos'. Seu uso pode soar pedante ou incorreto para a maioria dos falantes. É uma relíquia gramatical que ilustra a evolução da língua e as diferenças entre o português brasileiro e o europeu, onde a ênclise ainda é mais comum.
Origem Etimológica e Formação
Século XIII - O verbo 'desviar' tem origem no latim 'deviare', que significa 'sair do caminho', 'desviar-se'. A forma 'desviar-nos-emos' é uma construção gramatical que remonta ao latim vulgar e se consolidou no português arcaico, com a junção do verbo no futuro do subjuntivo ('desviaremos') com o pronome oblíquo átono 'nos' em posição enclítica (após o verbo).
Uso Arcaico e Clássico
Séculos XIV a XVIII - A forma 'desviar-nos-emos' era comum na escrita e na fala culta, seguindo as regras gramaticais da época para a colocação pronominal. Encontrada em textos literários e religiosos.
Mudança Gramatical e Declínio do Uso
Séculos XIX e XX - Com a evolução da gramática normativa do português, especialmente a partir do século XIX, a próclise (pronome antes do verbo) tornou-se mais frequente em detrimento da ênclise (pronome após o verbo) em muitos contextos, especialmente no Brasil. A forma 'nos desviaremos' passou a ser preferida na norma culta brasileira, tornando 'desviar-nos-emos' uma construção arcaica e rara.
Uso Contemporâneo e Contexto Atual
Século XXI - A forma 'desviar-nos-emos' é extremamente rara no português brasileiro contemporâneo, sendo considerada gramaticalmente incorreta ou excessivamente formal/arcaica pela maioria dos falantes e gramáticos. Seu uso é praticamente restrito a estudos de linguística histórica, citações de textos antigos ou, em raras ocasiões, como um recurso estilístico deliberado para evocar um tom arcaico ou irônico.
Derivado do verbo 'desviar' (do latim 'disviare') + pronome oblíquo 'nos' + desinência de futuro do subjuntivo '-emos'.