enche-se
Do latim 'implere', com o pronome 'se' de origem incerta.
Origem
Do latim 'implere', que significa 'tornar cheio', 'completar'. A partícula 'se' é um pronome oblíquo átono reflexivo ou apassivador.
Mudanças de sentido
Sentido literal de preencher, tornar completo. Ex: 'O rio enche-se de água'.
Expansão para sentidos figurados: tornar-se farto, saturado, completo em qualidades ou sentimentos. Ex: 'O coração enche-se de alegria'. 'A sala enche-se de gente'.
A construção 'enche-se' pode indicar que o sujeito realiza a ação em si mesmo (reflexivo) ou que a ação ocorre sobre o sujeito (passivo sintético). Ex: 'O balão enche-se sozinho' (passivo). 'Ele se enche de orgulho' (reflexivo).
Primeiro registro
Registros em textos medievais em galaico-português, como em crônicas e textos religiosos, onde a forma verbal já se consolidava. Referência em corpus_textos_medievais.txt.
Momentos culturais
Presente em obras de Camões, Machado de Assis e outros autores, frequentemente em contextos poéticos ou descritivos formais. Exemplo em 'Os Lusíadas' e 'Memórias Póstumas de Brás Cubas'.
Utilizado em letras de canções para evocar sentimentos de plenitude, saudade ou realização. Ex: 'O peito se enche de saudade'.
Comparações culturais
Inglês: 'fills itself' (reflexivo) ou 'is filled' (passivo). A estrutura com pronome enclítico é menos comum em inglês moderno. Espanhol: 'se llena' (reflexivo/passivo). A estrutura com pronome antes do verbo é a norma. Francês: 'se remplit' (reflexivo/passivo). Similar ao espanhol e português na colocação pronominal.
Relevância atual
A forma 'enche-se' é gramaticalmente correta e preferida em contextos formais, acadêmicos e literários no Brasil. Na linguagem falada, a proclise ('se enche') é predominante, mas a enclise ainda é utilizada para marcar formalidade ou em construções específicas. A distinção entre o uso formal e informal reflete a variação linguística brasileira.
Origem Latina e Formação
Século XIII - O verbo 'encher' deriva do latim 'implere', que significa 'tornar cheio', 'completar'. A forma 'enche-se' surge da combinação do verbo com o pronome reflexivo 'se', indicando que a ação de encher recai sobre o próprio sujeito ou que algo se torna cheio por si só.
Evolução no Português
Idade Média - Século XIX - A construção 'enche-se' é utilizada em diversos contextos, desde descrições literais de objetos sendo preenchidos até usos figurados para expressar completude ou saturação. A norma culta estabelece a colocação pronominal com o pronome após o verbo em frases afirmativas.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX - Atualidade - A forma 'enche-se' mantém seu uso gramaticalmente correto, embora a colocação pronominal proclítica (se enche) seja mais comum na fala coloquial brasileira. O uso de 'enche-se' é mais frequente na escrita formal, literária e em contextos que exigem maior formalidade.
Do latim 'implere', com o pronome 'se' de origem incerta.