enganavam-se
Do latim 'in' (em) + 'ganare' (ganhar, obter).
Origem
Deriva do latim vulgar *invidiāre*, do latim clássico *invidēre* (olhar para dentro, cobiçar, ter inveja). O prefixo 'in-' (em, para dentro) + 'vidēre' (ver). A evolução semântica para 'iludir' ocorre no desenvolvimento do português.
Mudanças de sentido
Originalmente ligado à ideia de cobiça, inveja, desejo por algo alheio.
Evolui para 'iludir', 'enganar', 'trair', 'falhar em cumprir', 'estar em erro'.
Predomina o sentido de 'estar equivocado', 'ter uma expectativa ou opinião errada', 'ser iludido por algo ou alguém'. A forma 'enganavam-se' carrega um tom mais formal ou literário para descrever um erro passado coletivo ou individual.
Primeiro registro
Registros em textos literários e documentos legais do português arcaico e medieval já apresentam a forma 'enganar' e suas conjugações, indicando o sentido de iludir ou estar em erro. A forma 'enganavam-se' aparece em textos que descrevem ações passadas.
Momentos culturais
Presente em obras de Camões, Machado de Assis e outros autores clássicos, frequentemente em narrativas que exploram a falibilidade humana, a desilusão amorosa ou política. Ex: 'Os homens sempre se enganavam com as aparências'.
Utilizada em romances, peças de teatro e filmes para retratar personagens que cometem erros de julgamento ou são vítimas de ciladas. A forma 'enganavam-se' pode ser usada para dar um tom de narração histórica ou de reflexão sobre o passado.
Vida emocional
A palavra carrega um peso de decepção, frustração e, por vezes, autocrítica. O ato de 'enganar-se' implica uma falha na percepção ou no julgamento, gerando sentimentos de arrependimento ou constrangimento.
Representações
Frequentemente usada em diálogos para descrever personagens que foram iludidos por outros ou que tinham expectativas irreais sobre uma situação. Ex: 'Eles achavam que o plano era infalível, mas se enganavam'.
Comparações culturais
Inglês: 'to deceive oneself' (enganar a si mesmo), 'to be mistaken' (estar enganado), 'to delude oneself' (iludir a si mesmo). Espanhol: 'engañarse' (enganar-se), 'equivocarse' (equivocar-se). Francês: 'se tromper' (enganar-se, enganar), 'se leurrer' (iludir-se). Italiano: 'ingannarsi' (enganar-se).
Relevância atual
A forma 'enganavam-se' é menos comum no discurso cotidiano brasileiro, sendo substituída por 'se enganaram' ou 'estavam enganados'. No entanto, mantém sua relevância em textos literários, históricos e em contextos que exigem um registro mais formal ou uma ênfase na ação passada de forma coletiva ou reflexiva. O conceito de 'estar enganado' ou 'iludir-se' é perene e se manifesta em diversas situações da vida pessoal e social.
Origem Etimológica e Latim Vulgar
Século XIII — Deriva do latim vulgar *invidiāre*, que por sua vez vem do latim clássico *invidēre* (olhar para dentro, cobiçar, ter inveja). O prefixo 'in-' (em, para dentro) + 'vidēre' (ver). A forma 'enganar' surge no português arcaico.
Formação no Português Arcaico e Medieval
Séculos XIV-XV — A palavra 'enganar' e suas conjugações, como 'enganavam-se', consolidam-se no português. O sentido evolui de 'cobiçar' para 'iludir', 'trair', 'falhar em cumprir'. O pronome reflexivo 'se' indica a ação voltada para o próprio sujeito.
Uso Clássico e Moderno
Séculos XVI-XIX — 'Enganavam-se' é amplamente utilizada na literatura clássica e no discurso formal para descrever a ação de ter expectativas falsas, ser iludido ou cometer um erro de julgamento. O sentido de 'estar enganado' se fortalece.
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XX-Atualidade — A forma 'enganavam-se' continua em uso, especialmente em contextos literários, históricos ou para enfatizar um erro passado de forma mais formal. No uso coloquial, formas mais simples como 'se enganaram' ou 'estavam enganados' são mais comuns. O sentido de 'estar equivocado' ou 'ter uma percepção errada' é o predominante.
Do latim 'in' (em) + 'ganare' (ganhar, obter).