ignoravam-se

Formado pelo verbo 'ignorar' (do latim 'ignorare') + pronome oblíquo átono 'se'.

Origem

Latim

Deriva do verbo latino 'ignorare', que significa 'não conhecer', 'desconhecer', 'ignorar'. A terminação '-avam-se' é a conjugação na terceira pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo, com o pronome reflexivo 'se', indicando passiva sintética ou reflexividade mútua.

Mudanças de sentido

Formação da Língua Portuguesa

O sentido primário de 'desconhecer' ou 'não ter conhecimento' é mantido desde a origem latina. A adição do pronome 'se' permite a construção de passiva sintética ('eram ignorados por alguém') ou reflexiva mútua ('eles se desconheciam mutuamente').

Brasil Colônia e Império

Utilizado para descrever a falta de conhecimento entre colonizadores e colonizados, ou entre diferentes estratos sociais. Ex: 'Os costumes europeus ignoravam-se dos rituais indígenas.'

Neste contexto, a palavra frequentemente carregava um peso de superioridade ou de alteridade cultural, onde um grupo desconhecia o outro, muitas vezes por escolha ou imposição.

Séculos XIX e XX

O uso se mantém formal, descrevendo desconhecimento em contextos históricos, sociais ou acadêmicos. Ex: 'As leis de sucessão ignoravam-se em muitas províncias.'

A construção com 'se' enfatiza a ausência de conhecimento ou a falta de consideração de um elemento por outro, ou de um grupo por outro.

Atualidade

Mantém o sentido de desconhecimento, mas pode ser empregado em contextos que sugerem negligência ou falta de atenção deliberada. Ex: 'As necessidades básicas da população ignoravam-se nas políticas públicas.'

A voz passiva sintética com 'se' é uma construção gramatical que confere um tom mais formal e impessoal à frase, sendo comum em textos analíticos e acadêmicos.

Primeiro registro

Século XIII

Registros da evolução do latim vulgar para o galaico-português, onde formas verbais com pronome reflexivo começam a se consolidar. Documentos medievais portugueses já apresentavam estruturas similares.

Momentos culturais

Literatura Colonial e Imperial

Presente em obras que narram o encontro de culturas e a formação da sociedade brasileira, como em relatos de viajantes e crônicas históricas, descrevendo a falta de conhecimento mútuo entre portugueses e indígenas, ou entre diferentes grupos sociais.

Historiografia Brasileira

Utilizada em estudos históricos para descrever a ausência de conhecimento sobre determinados fatos, grupos sociais ou costumes no passado do Brasil. Ex: 'As tradições orais africanas ignoravam-se pela elite letrada.'

Vida emocional

A palavra em si é neutra, mas o ato de 'ignorar-se' pode carregar conotações de negligência, desconsideração, ou até mesmo de uma ignorância trágica ou prejudicial, dependendo do contexto em que é empregada.

Vida digital

A forma 'ignoravam-se' é raramente usada em contextos informais digitais. Sua ocorrência é majoritariamente em citações de textos acadêmicos, literários ou históricos em plataformas como blogs, artigos online e redes sociais de cunho educacional ou cultural.

Representações

Em filmes, séries ou novelas, a ideia expressa por 'ignoravam-se' seria representada visualmente pela falta de interação, pela ausência de conhecimento entre personagens, ou por diálogos que explicitam o desconhecimento mútuo. A palavra em si raramente seria dita em diálogos informais.

Comparações culturais

Inglês: 'they were unaware of each other' ou 'they ignored each other' (dependendo da nuance de desconhecimento ou de ação deliberada). Espanhol: 'se ignoraban' (muito similar em estrutura e sentido). Francês: 'ils s'ignoraient'. Alemão: 'sie ignorierten einander' ou 'sie waren sich unbekannt'.

Relevância atual

A forma 'ignoravam-se' mantém sua relevância em contextos formais, acadêmicos e literários no português brasileiro. É uma construção gramatical que permite expressar a ideia de desconhecimento mútuo ou passivo de forma concisa e elegante, sendo ainda utilizada em análises sociais, históricas e culturais para descrever situações de falta de conhecimento ou atenção.

Origem Latina e Formação

Século XIII - A forma 'ignoravam-se' deriva do latim 'ignorare' (não conhecer, desconhecer), com a adição do pronome reflexivo 'se', indicando uma ação recíproca ou passiva sintética. A conjugação no pretérito imperfeito do indicativo ('ignoravam') sugere uma ação contínua ou habitual no passado.

Uso Literário e Colonial

Séculos XVI a XVIII - A palavra aparece em textos literários e documentos oficiais, frequentemente descrevendo a falta de conhecimento de populações nativas sobre costumes europeus, ou a ignorância mútua entre diferentes grupos sociais e culturais no Brasil Colônia.

Evolução Gramatical e Semântica

Séculos XIX e XX - A estrutura 'ignoravam-se' como voz passiva sintética ('eram ignorados') ou reflexiva ('eles mesmos se ignoravam') consolida-se na norma culta. O sentido principal de 'desconhecer' permanece, mas com nuances dependendo do contexto.

Uso Contemporâneo

Século XXI - A forma 'ignoravam-se' é utilizada em contextos formais e literários para descrever situações de desconhecimento mútuo, negligência ou falta de informação em larga escala, como em análises históricas ou sociais.

ignoravam-se

Formado pelo verbo 'ignorar' (do latim 'ignorare') + pronome oblíquo átono 'se'.

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