julga-se
Verbo 'julgar' (latim 'iudicare') + pronome oblíquo átono 'se'.
Origem
Deriva do latim 'iudicare' (examinar, sentenciar, dizer o direito) + pronome 'se'.
Mudanças de sentido
Voz passiva sintética ('é julgado') ou reflexiva ('julga a si mesmo').
Mantém os sentidos de voz passiva sintética ('julga-se que...', ou seja, 'acredita-se que...') e reflexiva ('ele se julga...', ou seja, 'ele tem a opinião sobre si mesmo de...').
A distinção entre a voz passiva sintética (o sujeito não é o agente da ação, mas o paciente, 'a casa se vende' = 'a casa é vendida') e a reflexiva (o sujeito é agente e paciente, 'ele se machucou' = 'ele machucou a si mesmo') é fundamental. 'Julga-se' pode ter ambos os sentidos dependendo do contexto.
Uso formal para voz passiva sintética ('Julga-se necessário...') e reflexiva ('O artista se julga...'). A próclise ('se julga') é mais comum no registro informal.
A preferência pela próclise no Brasil em contextos informais ('Ele se julga o melhor') contrasta com a ênclise ('Ele julga-se o melhor'), que é mais formal e comum em Portugal ou em textos escritos no Brasil.
Primeiro registro
A estrutura com pronome posposto ao verbo já estava em uso no português arcaico, com registros em textos como as Cantigas de Santa Maria (embora em galego-português) e documentos legais da época.
Momentos culturais
Presente em obras de Machado de Assis, José de Alencar e outros, onde a forma 'julga-se' era a norma culta para expressar a voz passiva sintética ou a reflexividade.
Utilizada em pronunciamentos formais, debates e sentenças para conferir objetividade e impessoalidade à afirmação ('Julga-se que a medida é inconstitucional').
Conflitos sociais
A diferença entre o uso da ênclise ('julga-se') e da próclise ('se julga') reflete a tensão entre a norma culta e o uso coloquial no Brasil, gerando debates sobre 'correção' gramatical.
Vida emocional
A forma 'julga-se' carrega um peso de formalidade e objetividade. Quando usada em contextos informais, pode soar pedante ou excessivamente formal. A ação de 'julgar-se' (reflexivo) pode estar associada à autocrítica, arrogância ou autoconhecimento, dependendo do contexto.
Vida digital
Em fóruns online, redes sociais e comentários, a forma 'se julga' é predominante. A forma 'julga-se' aparece em artigos de opinião, notícias e posts que buscam um tom mais formal ou analítico. Raramente viraliza como meme, mas pode aparecer em citações de textos formais.
Representações
Em diálogos de personagens mais cultos, advogados, juízes ou em cenas que exigem formalidade, a forma 'julga-se' pode ser empregada. Em contrapartida, personagens mais populares ou em situações informais usarão 'se julga'.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente em inglês para a voz passiva sintética é frequentemente feita com 'one' ('one judges') ou com a voz passiva simples ('it is judged'). Para a reflexiva, usa-se o pronome reflexivo ('he judges himself'). A estrutura 'julga-se' não tem um paralelo direto e único. Espanhol: O espanhol utiliza a partícula 'se' de forma semelhante, com a voz passiva sintética ('se juzga') e a reflexiva ('se juzga'). A posição do pronome pode variar, mas a estrutura é mais próxima do português do que do inglês. Francês: Similar ao espanhol e português, o francês usa 'on juge' (voz impessoal) ou 'il se juge' (reflexivo), com a partícula 'se' para reflexividade.
Origem e Formação
Século XIII - O verbo 'julgar' deriva do latim 'iudicare', que significa 'dizer o direito', 'examinar', 'sentenciar'. A partícula 'se' é um pronome oblíquo átono, que em português arcaico e clássico podia ser posposto ao verbo em diversas construções, incluindo a voz passiva sintética e a reflexiva. A forma 'julga-se' consolida-se com a evolução do português.
Uso Clássico e Moderno
Séculos XV a XIX - A forma 'julga-se' é amplamente utilizada na literatura e na prosa formal, tanto para indicar uma ação impessoal ('Julga-se que a decisão foi acertada') quanto para expressar reflexividade ('Ele se julga superior'). A estrutura com pronome posposto é comum e estilisticamente valorizada.
Uso Contemporâneo e Variações
Século XX e Atualidade - A forma 'julga-se' mantém sua validade gramatical e seu uso em contextos formais. No entanto, no português brasileiro coloquial, a próclise (pronome antes do verbo) tornou-se mais frequente ('se julga'), especialmente em início de frase ou após certas palavras. A forma 'julga-se' persiste em textos escritos, discursos formais e em contextos onde a norma culta é priorizada.
Verbo 'julgar' (latim 'iudicare') + pronome oblíquo átono 'se'.