nao-davam-ouvidos

Combinação da negação 'não' com o verbo 'dar' e o substantivo 'ouvidos'.

Origem

Séculos XV-XVI

Deriva da locução verbal 'dar ouvidos', que significa escutar atentamente. A negação 'não' é adicionada para inverter o sentido, resultando em 'não dar ouvidos', ou seja, ignorar.

Mudanças de sentido

Séculos XV-XVI

Sentido primário: não prestar atenção, ignorar.

Séculos XVII-XIX

Aprofundamento do sentido para incluir insensibilidade, desconsideração deliberada e recusa em aceitar conselhos ou advertências. → ver detalhes TEXTO_EXPANDIDO

Neste período, a expressão frequentemente aparece em contextos morais e religiosos, onde a recusa em 'dar ouvidos' a preceitos divinos ou conselhos sábios era vista como um grave erro. Em textos literários, era usada para caracterizar personagens teimosos, orgulhosos ou insensíveis.

Séculos XX-XXI

Manutenção do sentido original, com aplicações em contextos informais, conflitos interpessoais e como forma de expressar resistência a opiniões ou ordens. → ver detalhes TEXTO_EXPANDIDO

No século XX, a expressão se tornou comum em diálogos cotidianos, podendo ser usada tanto em tom sério quanto irônico. No século XXI, com a proliferação de informações e opiniões nas redes sociais, 'não dar ouvidos' pode se referir à necessidade de filtrar o que se consome ou à resistência a pressões sociais e digitais.

Primeiro registro

Século XVI

Registros em crônicas e sermões da época, como em textos de Pero de Magalhães Gândavo, que descrevem comportamentos de desconsideração. Referências em obras literárias do período barroco também são comuns.

Momentos culturais

Século XVII

Presente em obras do Barroco, como em sermões de Padre Antônio Vieira, onde a desobediência a Deus ou à Igreja é descrita como 'não dar ouvidos'.

Século XIX

Utilizada em romances realistas e naturalistas para retratar personagens que ignoram conselhos familiares ou sociais, frequentemente levando a desfechos trágicos.

Anos 1980-1990

Popularizada em letras de música popular brasileira (MPB) e rock, expressando rebeldia juvenil ou desilusão amorosa.

Conflitos sociais

Período Colonial

Usada para descrever a recusa dos colonizadores em ouvir as queixas ou súplicas dos povos indígenas e africanos escravizados.

Ditadura Militar (Brasil)

A expressão podia ser usada metaforicamente para descrever a postura do regime em não ouvir as vozes da oposição ou as demandas por liberdade e democracia.

Vida emocional

Geral

Associada a sentimentos de frustração (para quem fala), teimosia, orgulho, insensibilidade (para quem é alvo da expressão). Pode carregar um peso negativo de desrespeito ou indiferença.

Vida digital

Anos 2000 - Atualidade

A expressão é frequentemente usada em redes sociais, fóruns e comentários online para descrever a ignorância deliberada de opiniões, conselhos ou notícias. → ver detalhes TEXTO_EXPANDIDO

Em plataformas como Twitter, Facebook e Instagram, 'não dar ouvidos' é comum em discussões acaloradas, onde usuários expressam que estão ignorando trolls, haters ou informações falsas. A expressão pode aparecer em memes, hashtags como #ignora ou #naoouvi, e em vídeos curtos que retratam situações de desatenção ou rebeldia.

Atualidade

Buscas online por 'como não dar ouvidos a críticas' ou 'o que fazer quando não dão ouvidos para você' indicam a relevância da expressão em contextos de autoajuda e resolução de conflitos interpessoais.

Representações

Novelas Brasileiras

Frequentemente utilizada em diálogos de novelas para retratar conflitos familiares, amorosos ou profissionais, onde um personagem ignora os conselhos ou apelos de outro.

Filmes e Séries

Presente em cenas que mostram personagens teimosos, rebeldes ou que tomam decisões contrárias ao que lhes é dito, resultando em consequências dramáticas.

Origem e Formação no Português

Séculos XV-XVI — A expressão 'dar ouvidos' surge com o sentido de prestar atenção, escutar. A negação 'não dar ouvidos' aparece como o oposto, significando ignorar ou desconsiderar. O uso de 'não' antes do verbo é a forma padrão de negação em português.

Consolidação e Uso Literário

Séculos XVII-XIX — A expressão se consolida na língua falada e escrita, aparecendo em textos literários e religiosos para descrever a recusa em ouvir conselhos, advertências ou súplicas. O sentido de insensibilidade e desconsideração se aprofunda.

Uso Contemporâneo e Ressignificações

Séculos XX-XXI — A expressão mantém seu sentido original, mas ganha nuances em contextos específicos. Pode ser usada de forma mais informal, em gírias ou em situações de conflito interpessoal. A internet e as redes sociais amplificam seu uso e criam novas formas de expressão relacionadas.

nao-davam-ouvidos

Combinação da negação 'não' com o verbo 'dar' e o substantivo 'ouvidos'.

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