roçar
Do latim 'rosicare', roer, desgastar.
Origem
Deriva do latim vulgar 'roccare', possivelmente ligado a 'roca' (rocha, pedra), sugerindo a ideia de esfregar, polir ou passar por cima de algo áspero. Outra hipótese liga-o a 'rosare' (esfregar).
Mudanças de sentido
Sentidos iniciais: tocar levemente, esbarrar, desgastar pelo atrito. Desenvolvimento do sentido de cultivar a terra (arar, lavrar).
Consolidação dos sentidos de tocar levemente, esbarrar, desgastar e cultivar. Surgimento do sentido de aproximar-se muito, estar quase em contato.
Manutenção dos múltiplos sentidos: tocar levemente, esbarrar, aproximar-se, desgastar, cultivar. O sentido de 'quase atingir' ou 'estar perto de' também é comum (ex: 'roçar a perfeição').
O verbo 'roçar' é frequentemente usado em contextos que descrevem proximidade física ou figurada, como em 'a bola roçou a trave' ou 'o discurso roçou o absurdo'. O sentido de cultivar a terra, embora menos comum no uso urbano, ainda é relevante em contextos rurais.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como em crônicas e textos legais, com os sentidos de esbarrar e cultivar.
Momentos culturais
Aparece em obras literárias descrevendo ações físicas, como o toque de vestes ou o movimento de animais, e também em descrições agrícolas.
Utilizado em letras de música para evocar proximidade, desejo ou até mesmo um leve toque, como em canções românticas.
Comparações culturais
Inglês: 'to brush', 'to graze', 'to skim', 'to touch lightly'. Espanhol: 'rozar', 'tocar', 'acariciar'. O verbo 'rozar' em espanhol é um cognato direto e compartilha a maioria dos sentidos. O inglês possui termos mais específicos para cada nuance. Francês: 'effleurer' (tocar levemente), 'frôler' (esbarrar), 'labourer' (cultivar).
Relevância atual
O verbo 'roçar' é de uso corrente e fundamental na língua portuguesa brasileira, mantendo sua polissemia. É empregado tanto em contextos formais quanto informais, descrevendo desde o contato físico até a proximidade figurada com conceitos ou estados.
Origem Etimológica
Século XIII - Deriva do latim vulgar 'roccare', possivelmente relacionado a 'roca' (rocha, pedra), indicando a ação de esfregar ou polir algo áspero, ou de passar por cima de algo.
Entrada e Evolução na Língua Portuguesa
Idade Média - O verbo 'roçar' já existia em português arcaico com o sentido de tocar levemente, esbarrar, ou de desgastar pelo atrito. O sentido de cultivar a terra (arar, lavrar) também se desenvolveu nesse período.
Consolidação de Sentidos
Séculos XV-XVIII - Os sentidos de 'tocar levemente', 'esbarrar', 'desgastar' e 'cultivar a terra' se consolidam. O sentido de 'aproximar-se muito' ou 'estar quase em contato' também se torna comum.
Uso Contemporâneo
Atualidade - O verbo 'roçar' mantém seus múltiplos sentidos: tocar levemente, esbarrar, aproximar-se, desgastar, e cultivar a terra. É uma palavra formal e dicionarizada, presente em diversos contextos.
Do latim 'rosicare', roer, desgastar.