tomastes
Do latim 'tomare'.
Origem
Deriva do verbo latino 'tomare'/'tamare', com a desinência '-astes' da segunda pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo.
Mudanças de sentido
Significava 'vós tomaste(s)', referindo-se a uma ação passada concluída pelo interlocutor (vós).
A forma verbal em si não mudou de significado intrínseco, mas seu uso foi drasticamente reduzido pela substituição do pronome 'vós' por 'vocês'. O significado de 'tomar' (pegar, beber, aceitar, conquistar, etc.) permanece, mas a conjugação específica para 'vós' tornou-se obsoleta na maior parte do Brasil.
A palavra 'tomastes' carrega consigo a marca de uma gramática que se tornou menos comum no Brasil, associada a um registro linguístico mais erudito ou antigo. O verbo 'tomar' em si é extremamente polissêmico e seu uso em outras conjugações é ubíquo.
Primeiro registro
Registros de português arcaico, como os de textos legais e literários da época, já apresentavam conjugações como 'tomastes', refletindo o uso do pronome 'vós'.
Momentos culturais
Presente em documentos oficiais, cartas e obras literárias que seguiam a norma culta da época, onde o uso de 'vós' era mais comum, especialmente em contextos formais ou literários.
Aparece em traduções de textos religiosos (Bíblia) e em obras literárias que intencionalmente resgatam o português clássico ou arcaico para fins estilísticos.
Conflitos sociais
A substituição de 'vós' por 'vocês' no Brasil, embora gradual, representou uma democratização e simplificação da linguagem, afastando-se de formas mais 'europeias' ou formais. O uso de 'tomastes' hoje pode ser visto como um marcador de classe ou de intenção estilística, em vez de uma norma natural.
Vida emocional
Para falantes brasileiros, 'tomastes' evoca um sentimento de distanciamento temporal e formal. Pode soar pedante, excessivamente formal, ou nostálgico, dependendo do contexto. Não possui carga emocional intrínseca forte, mas sim associada ao registro em que é empregada.
Vida digital
Buscas por 'tomastes' no contexto brasileiro geralmente se referem a dúvidas gramaticais sobre o uso de 'vós' versus 'vocês', ou a pesquisas por textos antigos. Não há viralizações ou memes associados diretamente a esta forma verbal específica, dada sua obsolescência no uso corrente.
Representações
Pode aparecer em diálogos de produções que retratam períodos históricos anteriores ao século XX, ou em personagens que deliberadamente usam uma linguagem arcaica.
Presente em traduções de obras literárias e religiosas antigas para o português.
Comparações culturais
Inglês: A forma 'thou tookest' (segunda pessoa do singular do pretérito) do inglês arcaico (Old English/Middle English) tem uma similaridade funcional, sendo hoje obsoleta e restrita a textos religiosos ou literários. O inglês moderno usa 'you took' para todas as pessoas. Espanhol: O espanhol mantém o uso de 'vosotros' e suas conjugações (ex: 'vosotros tomasteis'), que ainda é comum na Espanha, embora na América Latina o pronome 'ustedes' com a conjugação da terceira pessoa ('ustedes tomaron') seja predominante, similar à substituição no português brasileiro. Francês: O francês usa 'vous avez pris' (pretérito composto) ou 'vous prîtes' (pretérito simples, mais raro) para a segunda pessoa do plural, mantendo o uso formal e plural de 'vous', sem a mesma obsolescência que 'tomastes' no Brasil.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - A forma 'tomastes' deriva do verbo latino 'tomare' (ou 'tamare'), que evoluiu para o português antigo 'tomar'. A terminação '-astes' é característica da segunda pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, uma conjugação comum no latim vulgar e que se manteve no português arcaico.
Uso Arcaico e Clássico
Séculos XIV a XVIII - 'Tomastes' era a forma padrão para se referir a uma ação completada no passado por 'vós' (a segunda pessoa do plural). Era amplamente utilizada na literatura, documentos oficiais e na fala cotidiana, refletindo a norma gramatical da época.
Declínio e Substituição pelo 'Vocês'
Séculos XIX e XX - Com a ascensão do pronome 'vocês' (derivado de 'Vossa Mercê') como forma de tratamento para a segunda pessoa do plural, o uso de 'vós' e suas conjugações, incluindo 'tomastes', começou a declinar drasticamente no português brasileiro. A forma 'vocês tomaram' gradualmente substituiu 'vós tomasteis'.
Uso Contemporâneo e Contextual
Atualidade - 'Tomastes' é raramente usada na fala corrente no Brasil, sendo considerada arcaica ou formal demais. Seu uso é restrito a contextos literários que buscam evocar um estilo antigo, em textos religiosos (como a Bíblia em algumas traduções) ou em situações muito específicas de formalidade extrema ou ironia.
Do latim 'tomare'.