abster-nos-emos

Do latim 'abstinere', composto de 'ab-' (longe) e 'tenere' (ter, segurar).

Origem

Latim

Do latim 'abstinere', que significa 'segurar para longe', 'reprimir', 'privar-se'. Composto por 'ab-' (longe) e 'tenere' (ter, segurar).

Mudanças de sentido

Latim/Português Arcaico

O sentido primário de 'abster-se' é o de privar-se voluntariamente de algo, reprimir um desejo ou impulso, ou não participar de algo. A forma verbal 'abster-nos-emos' carrega esse sentido de uma ação futura coletiva de privação ou não participação.

Atualidade

O sentido fundamental de privar-se ou não participar permanece. No entanto, o uso da forma 'abster-nos-emos' é raro no português brasileiro coloquial e mais comum em registros escritos formais, jurídicos ou literários, onde a ênclise é mantida por questões de estilo ou norma gramatical estrita.

Em contextos modernos, especialmente no Brasil, a tendência é o uso da próclise: 'nos absteremos'. A forma enclítica 'abster-nos-emos' pode soar arcaica ou excessivamente formal para muitos falantes, mas é perfeitamente válida e utilizada em documentos oficiais, discursos solenes ou textos literários que buscam um tom mais elevado.

Primeiro registro

Português Arcaico

A conjugação 'abster-nos-emos' e formas similares com ênclise datam dos primórdios da língua portuguesa, encontradas em textos medievais. A documentação exata do primeiro uso específico desta forma é difícil de precisar, mas a estrutura remonta à Idade Média.

Momentos culturais

Literatura Clássica e Jurídica

A forma 'abster-nos-emos' é encontrada em obras literárias de períodos clássicos e em documentos jurídicos e religiosos que seguem normas gramaticais mais conservadoras, onde a ênclise era a regra ou preferida.

Comparações culturais

Inglês: A forma verbal correspondente seria 'we will abstain' ou 'we shall abstain', onde a estrutura do verbo e do pronome é significativamente diferente. Espanhol: 'nos abstendremos', que mantém a ênclise do pronome ('nos') após o verbo no futuro, similar à estrutura do português arcaico e formal. Francês: 'nous nous abstiendrons', com o pronome reflexivo ('nous') antes do verbo, seguindo a tendência de próclise. Italiano: 'ci asterremo', também com o pronome ('ci') antes do verbo.

Relevância atual

No português brasileiro contemporâneo, a forma 'abster-nos-emos' é considerada gramaticalmente correta, mas de uso restrito a contextos formais, acadêmicos, jurídicos ou literários. A forma 'nos absteremos' é a mais comum e natural no dia a dia e na maioria das comunicações escritas e faladas. A persistência da forma enclítica em certos domínios reflete a influência da norma culta tradicional e a preservação de estruturas gramaticais mais antigas.

Origem Latina e Formação do Verbo

Século XIII - O verbo 'abster' deriva do latim 'abstinere', composto por 'ab-' (longe, de) e 'tenere' (ter, segurar). A forma 'abster-nos-emos' é uma conjugação específica do futuro do presente do indicativo, primeira pessoa do plural, com pronome oblíquo átono enclítico ('nos'). Essa estrutura gramatical remonta à evolução do latim vulgar para o português arcaico.

Uso Arcaico e Clássico

Séculos XIV a XVIII - A forma 'abster-nos-emos' era utilizada em contextos formais, literários e jurídicos, refletindo a norma culta da época. O uso do pronome enclítico ('nos') era mais comum e preferencial em muitos casos, especialmente no início de orações ou após certas conjunções.

Mudança na Norma Gramatical e Uso Moderno

Séculos XIX a XXI - Com a evolução da gramática normativa do português, especialmente a partir do século XIX, a próclise (pronome antes do verbo) tornou-se mais frequente em detrimento da ênclise, principalmente no português brasileiro. A forma 'nos absteremos' passou a ser a mais comum e preferencial em muitos contextos, embora 'abster-nos-emos' ainda seja gramaticalmente correta e encontrada em textos formais ou com intenção estilística.

abster-nos-emos

Do latim 'abstinere', composto de 'ab-' (longe) e 'tenere' (ter, segurar).

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