achavam-se
Derivado do verbo 'achar' (origem incerta, possivelmente do latim 'afflare', soprar, ou do germânico 'fathjan', encontrar) + pronome 'se'.
Origem
Deriva do verbo latino 'aestimare' (avaliar, estimar, calcular) e do latim vulgar *'affactare' (intensificação de 'afficere' - afetar, fazer, realizar), que evoluiu para 'achar' (encontrar, descobrir, julgar, pensar).
A forma 'achavam-se' é a 3ª pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo do verbo 'achar' + pronome oblíquo átono 'se'.
Mudanças de sentido
'Aestimare' referia-se a cálculo e valor. 'Afficere' a afetar ou realizar.
O verbo 'achar' consolidou-se com os sentidos de encontrar, descobrir, ter opinião, julgar. A forma 'achavam-se' sempre refletiu esses sentidos aplicados a um grupo ('eles achavam-se X').
Mantém os sentidos originais, mas pode adquirir conotações de autopercepção exagerada ou irônica, especialmente em contextos informais. Ex: 'Eles se achavam os melhores, mas foram os primeiros a cair.'
A nuance de 'se achar' (ter uma alta opinião de si mesmo, muitas vezes infundada) é uma extensão semântica comum no Brasil, onde 'achavam-se' pode ser um sinônimo mais formal ou literário para 'se achavam' nesse sentido pejorativo.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico já apresentam o verbo 'achar' e suas conjugações, incluindo formas que poderiam gerar 'achavam-se' em contextos que indicavam opinião ou estado. A documentação específica da forma exata 'achavam-se' é difusa, mas o uso do verbo e do pronome reflexivo é atestado desde os primórdios da língua.
Momentos culturais
Presente em obras de Machado de Assis, José de Alencar e outros, onde é usado para descrever personagens, suas autopercepções ou o estado em que se encontravam. Ex: 'Os fidalgos se achavam superiores a todos.'
Pode aparecer em letras de música, frequentemente com o sentido de autossuficiência ou arrogância. Ex: 'Eles se achavam o máximo, mas a vida mostrou o contrário.'
Conflitos sociais
A expressão 'se achar' (e, por extensão, 'achavam-se' em contextos informais) pode ser usada para criticar a arrogância, a presunção ou a falta de humildade de indivíduos ou grupos, especialmente em debates sobre status social, poder ou privilégio. 'Eles se achavam intocáveis' pode ser uma crítica a elites ou grupos com poder.
Vida emocional
A forma 'achavam-se' pode evocar sentimentos de autoconfiança, presunção, ilusão, conformismo ou resignação, dependendo do contexto. O pronome 'se' adiciona uma camada de introspecção ou autoavaliação (real ou ilusória).
Vida digital
Em redes sociais e fóruns online, a expressão 'se acham' (forma mais informal e comum) é frequentemente usada em comentários para criticar a arrogância de influenciadores, celebridades ou figuras públicas. A forma 'achavam-se' é menos comum em textos digitais curtos, mas aparece em transcrições ou em contextos mais formais.
Embora 'achavam-se' em si não seja um meme, a ideia de 'se achar' é recorrente em conteúdos humorísticos que satirizam a autoconfiança excessiva. Frases como 'Eles se achavam...' são frequentemente completadas de forma irônica em memes.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — Deriva do verbo latino 'aestimare', que significa 'avaliar', 'estimar', 'calcular'. A forma 'achavam-se' é a terceira pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo do verbo 'achar', acrescida do pronome oblíquo átono 'se'. O verbo 'achar' em português tem origem no latim vulgar *'affactare', uma intensificação do latim clássico 'afficere' (afetar, fazer, realizar), que evoluiu para o sentido de encontrar, descobrir, julgar, pensar.
Uso Medieval e Moderno Inicial
Idade Média ao Século XVIII — O verbo 'achar' já existia com sentidos de encontrar e de ter opinião. A forma 'achavam-se' era usada para expressar que um grupo de pessoas se encontrava em determinado estado ou tinha uma determinada opinião. Exemplo: 'Eles achavam-se ricos' (tinham a opinião de que eram ricos ou se consideravam ricos).
Uso Contemporâneo no Brasil
Século XIX até a Atualidade — A forma 'achavam-se' mantém seus usos tradicionais, tanto para indicar estado/situação quanto para expressar opinião ou autopercepção. No português brasileiro, é comum em narrativas, descrições e diálogos, podendo carregar nuances de ironia ou distanciamento dependendo do contexto.
Derivado do verbo 'achar' (origem incerta, possivelmente do latim 'afflare', soprar, ou do germânico 'fathjan', encontrar) + pronome 'se'.