acredita-se-que
Combinação da forma verbal 'acredita-se' (verbo acreditar + pronome apassivador 'se') com a conjunção subordinativa 'que'.
Origem
Derivação do verbo 'acreditar' (latim *credere*) com a partícula 'se' (apassivadora ou indeterminadora do sujeito) e a conjunção subordinativa 'que'. A construção impessoal visa apresentar uma informação como crença geral ou suposição, sem especificar o agente da crença.
Mudanças de sentido
Introdução de crenças ou suposições de forma impessoal.
Marcador de incerteza, opinião coletiva ou informação não atribuída a fonte específica.
Uso estilístico para introduzir hipóteses, boatos, informações não confirmadas ou para suavizar afirmações. → ver detalhes
Na atualidade, a expressão é frequentemente utilizada em contextos jornalísticos para reportar rumores ou informações de fontes não oficiais, em debates acadêmicos para apresentar teorias, e no discurso cotidiano para expressar uma opinião que não se quer apresentar como fato absoluto. Sua impessoalidade a torna um recurso útil para evitar polêmicas ou para introduzir especulações de forma cautelosa.
Primeiro registro
Registros em textos medievais em português arcaico, como crônicas e documentos legais, onde a construção impessoal já se manifestava. A data exata é difícil de precisar, mas a estrutura verbal e pronominal já estava consolidada.
Momentos culturais
Frequente em romances e crônicas que retratam a vida urbana e as fofocas, onde a incerteza e o 'diz-que-diz' eram elementos narrativos importantes.
Utilizada em debates políticos e sociais para introduzir narrativas ou teorias conspiratórias, muitas vezes com viés especulativo.
Vida digital
Presente em fóruns online e redes sociais para introduzir teorias, especulações ou informações não verificadas.
Pode aparecer em memes ou posts virais como forma de introduzir um boato ou uma 'fake news' de maneira irônica.
Comparações culturais
Inglês: 'It is believed that...', 'They say that...', 'Rumor has it that...'. Espanhol: 'Se cree que...', 'Dicen que...', 'Corre el rumor de que...'. Francês: 'On croit que...', 'Il se dit que...'. Alemão: 'Man glaubt, dass...', 'Es heißt, dass...'.
Relevância atual
A expressão 'acredita-se que' continua sendo um marcador linguístico fundamental para expressar incerteza, especulação e crenças coletivas. Sua neutralidade e impessoalidade a tornam uma ferramenta versátil no discurso contemporâneo, especialmente em tempos de rápida disseminação de informações e desinformações.
Formação do Português
Séculos XII-XIII — A expressão 'acredita-se' surge como uma forma impessoal e passiva de introduzir crenças ou suposições, derivada do verbo 'acreditar' (do latim *credere*, crer) e do pronome 'se' (com função de partícula apassivadora ou indeterminadora do sujeito). A construção 'que' introduz a oração subordinada substantiva objetiva direta.
Consolidação do Uso
Séculos XIV-XVIII — A expressão se estabelece na língua escrita e falada como um marcador de incerteza ou de opinião coletiva, evitando a atribuição direta de uma crença a um indivíduo específico. É comum em textos religiosos, filosóficos e jurídicos.
Modernidade e Contemporaneidade
Século XIX - Atualidade — A expressão 'acredita-se que' mantém sua função, mas sua frequência e estilo de uso se adaptam. Torna-se um recurso estilístico para introduzir hipóteses, boatos ou informações não confirmadas em diversos gêneros textuais, da imprensa à literatura e ao discurso informal.
Combinação da forma verbal 'acredita-se' (verbo acreditar + pronome apassivador 'se') com a conjunção subordinativa 'que'.