acreditam-se
Do latim 'accreditare'.
Origem
Deriva do latim 'credere' (crer, confiar), com o prefixo 'a-' intensificador. O pronome 'se' é um pronome oblíquo átono.
Mudanças de sentido
O sentido central de 'ter por verdadeiro', 'confiar' ou 'dar crédito' permaneceu estável. A mudança reside mais na construção gramatical e no contexto de uso (formal vs. informal) do que no significado intrínseco.
Primeiro registro
A forma 'acreditam-se' como construção gramatical já existia em textos medievais em português, refletindo a sintaxe da época. Registros específicos da primeira ocorrência são difíceis de isolar devido à evolução contínua da língua.
Momentos culturais
Presente em obras literárias clássicas brasileiras e portuguesas, onde a ênclise era a norma culta. Ex: Machado de Assis, Eça de Queirós.
Aparece em manchetes de jornais, artigos científicos e discursos formais, contrastando com o uso mais informal de 'se acreditam' em redes sociais e conversas cotidianas.
Conflitos sociais
O conflito principal reside na norma culta versus a linguagem coloquial. A preferência pela próclise ('se acreditam') na fala brasileira gera debates sobre 'erros' gramaticais, embora seja uma variação linguística natural. 'Acreditam-se' é frequentemente associada a um registro mais erudito ou formal.
Vida emocional
A forma 'acreditam-se' pode evocar um senso de formalidade, seriedade e até mesmo distanciamento, em contraste com a proximidade e informalidade de 'se acreditam'.
Vida digital
Em ambientes digitais formais (artigos online, notícias), 'acreditam-se' é usada. Em redes sociais e fóruns informais, 'se acreditam' predomina. A busca por 'acreditam-se' pode estar ligada a dúvidas gramaticais ou à procura por exemplos de uso formal.
Representações
Presente em diálogos de filmes, séries e novelas que buscam retratar personagens com maior nível de escolaridade ou em situações formais. A escolha entre 'acreditam-se' e 'se acreditam' pode ser um recurso para caracterizar o personagem ou a situação.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente em inglês, como 'they believe', não possui a mesma complexidade de colocação pronominal. O pronome 'themselves' seria usado em construções reflexivas ou recíprocas, mas não diretamente com o verbo 'believe' da mesma forma que o 'se' em português. Espanhol: O espanhol também utiliza a próclise ou ênclise dependendo da estrutura da frase, com formas como 'se creen' (próclise, mais comum) ou 'creense' (ênclise, mais formal ou literária), similar à distinção entre 'se acreditam' e 'acreditam-se' no português brasileiro.
Relevância atual
A forma 'acreditam-se' mantém sua relevância como marcador de formalidade e adequação à norma culta da língua portuguesa no Brasil. Seu uso é indicativo de um registro linguístico mais cuidado, sendo essencial em contextos acadêmicos, jurídicos, jornalísticos e literários.
Origem Latina e Formação do Verbo
Século XIII - O verbo 'acreditar' deriva do latim 'credere', que significa 'ter fé', 'confiar'. A adição do prefixo 'a-' intensifica o sentido, indicando 'dar crédito', 'ter por verdadeiro'. A forma 'acreditam-se' surge com a evolução da língua portuguesa, incorporando o pronome oblíquo átono 'se' em ênclise, uma construção comum na norma culta.
Uso Medieval e Moderno
Idade Média - Século XIX: A forma 'acreditam-se' já estava consolidada na língua, aparecendo em textos literários e religiosos para expressar crença coletiva ou a ideia de que algo é considerado verdadeiro por um grupo. O uso da ênclise era predominante em inícios de frase e após pausas.
Evolução Gramatical Brasileira
Século XX - Atualidade: No Brasil, a partir do século XX, observa-se uma tendência à próclise (antes do verbo) em detrimento da ênclise, especialmente na fala coloquial. No entanto, 'acreditam-se' mantém seu uso formal e literário, sendo comum em textos jornalísticos, acadêmicos e literários que seguem a norma culta. A forma com próclise ('se acreditam') é mais frequente na oralidade e em contextos informais.
Do latim 'accreditare'.