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afastar-se-emos

Derivado do verbo 'afastar' com o pronome reflexivo 'se' e a desinência verbal '-emos'.

Origem

Século XIII

Do latim vulgar 'abstergere', que evoluiu para 'afastar', significando remover, separar, distanciar. A terminação '-emos' indica a primeira pessoa do plural do futuro do presente do indicativo, e o pronome '-se' indica a reflexividade ou a voz passiva sintética, com a enclise (pronome após o verbo) sendo a norma gramatical da época.

Mudanças de sentido

Século XIII - Século XVIII

O sentido primário de 'distanciar-se fisicamente', 'retirar-se de um local' ou 'separar-se de algo/alguém' era o principal. A forma verbal 'afastar-se-emos' carregava a ideia de uma ação futura de distanciamento, com um tom de formalidade inerente à sua estrutura.

Século XIX - Atualidade

O sentido fundamental permanece o mesmo, mas a forma verbal 'afastar-se-emos' perdeu sua vitalidade de uso. A mudança reside mais na percepção da forma como arcaica e excessivamente formal, em vez de uma alteração semântica profunda. O sentido de 'afastar-se' pode também abranger o distanciamento emocional ou de ideias, mas a forma verbal em questão raramente é usada para expressar isso hoje.

Primeiro registro

Século XIII

Registros de textos em português arcaico, como as cantigas galego-portuguesas e os primeiros documentos administrativos, já apresentavam a estrutura verbal com pronome enclítico. A forma específica 'afastar-se-emos' seria encontrada em documentos que datam deste período e posteriores, refletindo a gramática da época.

Momentos culturais

Séculos XIV-XVIII

Presente em obras literárias clássicas, crônicas históricas e documentos oficiais, onde a formalidade era exigida. Exemplos podem ser encontrados em textos de Pero Vaz de Caminha ou em obras de autores como Camões, embora a forma exata possa variar.

Século XIX

Ainda presente na literatura mais formal e em discursos acadêmicos, mas já começando a soar anacrônica para alguns leitores, em contraste com a escrita mais fluida de autores como Machado de Assis, que já refletiam uma linguagem mais moderna.

Comparações culturais

Inglês: A forma equivalente em inglês seria 'we shall distance ourselves' ou 'we will distance ourselves', onde 'shall' denota um futuro mais formal ou obrigatório, similar ao tom arcaico de 'afastar-se-emos'. O inglês moderno prefere 'we will distance ourselves'. Espanhol: A forma seria 'nos afastaremos', que é a conjugação padrão e não soa arcaica. O uso do pronome antes do verbo ('nos') é a norma. Francês: 'Nós nos afastaremos', seguindo a mesma lógica do espanhol e português moderno. Alemão: 'Wir werden uns entfernen', onde 'werden' é o auxiliar para o futuro e 'uns' é o pronome reflexivo.

Relevância atual

Atualidade

A forma 'afastar-se-emos' possui relevância quase nula no uso corrente do português brasileiro. Sua presença é limitada a estudos linguísticos sobre a evolução da língua, textos que intencionalmente buscam um efeito de antiguidade, ou como um exemplo de gramática normativa que caiu em desuso na prática comunicativa. A forma 'nos afastaremos' é a única utilizada no dia a dia e na escrita contemporânea.

Origem Latina e Formação do Verbo

Século XIII - O verbo 'afastar' deriva do latim 'abstergere', que significa limpar, enxugar, e evoluiu para 'afastar', no sentido de remover, separar. A forma 'afastar-se-emos' é uma conjugação verbal do futuro do presente do indicativo, com pronome oblíquo átono enclítico, característica do português arcaico e formal.

Evolução no Português

Séculos XIV-XVIII - A forma 'afastar-se-emos' era comum na escrita formal e literária. O uso do pronome enclítico (após o verbo) era a norma. O sentido principal de 'distanciar-se' ou 'retirar-se' se consolida.

Mudança de Formalidade e Uso

Séculos XIX-XX - Com a evolução da língua e a simplificação da gramática normativa, o uso do pronome enclítico em inícios de frase ou após certas conjunções tornou-se menos frequente na fala e na escrita informal. A forma 'nos afastaremos' (com pronome proclítico) ganha proeminência. 'Afastar-se-emos' passa a ser percebida como uma forma mais arcaica e extremamente formal.

Uso Contemporâneo

Século XXI - A forma 'afastar-se-emos' é raramente utilizada na comunicação cotidiana no Brasil. Seu uso é restrito a contextos literários de época, documentos legais muito formais, ou como um recurso estilístico para evocar um tom arcaico ou solene. A forma predominante e natural é 'nos afastaremos'.

afastar-se-emos

Derivado do verbo 'afastar' com o pronome reflexivo 'se' e a desinência verbal '-emos'.

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