anotavam-se
Derivado do verbo 'anotar' (do latim 'annotare') + pronome 'se'.
Origem
Deriva do latim 'annotare', que significa 'escrever em anotações', 'registrar'. O sufixo '-avam' indica o pretérito imperfeito do indicativo, 3ª pessoa do plural, e o pronome 'se' pode ter função reflexiva ou apassivadora.
Mudanças de sentido
O sentido original de 'registrar' ou 'escrever' se manteve ao longo do tempo. A variação de uso reside na função do pronome 'se': reflexivo (alguém anotava para si) ou apassivador (algo era anotado).
Uso predominante como 'se' apassivador em registros formais e documentais, indicando a ocorrência de uma ação sem especificar o agente. Ex: 'Aos poucos, anotavam-se os progressos da expedição.'
Continua em uso formal e literário. Em contextos informais, pode soar arcaico ou excessivamente formal. A preferência recai sobre construções mais diretas como 'eles anotavam' ou 'eram anotados'.
Primeiro registro
Registros de textos em português arcaico, a partir do século XIII, já apresentariam o verbo 'anotar' em suas conjugações, incluindo formas que poderiam evoluir para 'anotavam-se' em contextos específicos. A documentação exata da primeira ocorrência da forma específica 'anotavam-se' é difícil de precisar sem um corpus linguístico exaustivo, mas sua estrutura é inerente à gramática da língua desde seus primórdios.
Momentos culturais
Presente em crônicas de viagem, relatos históricos e obras literárias que buscavam registrar a realidade de forma detalhada, como em obras de Pero Vaz de Caminha ou em diários de exploradores.
Utilizado em romances e contos para descrever cenas, costumes e pensamentos, conferindo um tom de observação objetiva ou subjetiva, dependendo do uso do 'se'.
Comparações culturais
Inglês: A construção equivalente em inglês seria 'they were noting' ou 'they used to note', dependendo do contexto do 'se' apassivador ou do hábito. O pronome 'se' não tem um equivalente direto e é traduzido pela estrutura passiva ou pelo uso de 'used to'. Espanhol: 'anotaban' (eles anotavam) ou 'se anotaban' (eram anotados/anotavam-se). A estrutura com 'se' é muito similar em espanhol, com a mesma ambiguidade entre reflexivo e apassivador.
Relevância atual
A forma 'anotavam-se' é considerada formal e, em muitos contextos, pode soar um pouco arcaica ou excessivamente literária. Na comunicação digital e informal, prefere-se 'eles anotavam' ou construções mais diretas. No entanto, em textos acadêmicos, jurídicos ou literários, a forma ainda é perfeitamente válida e utilizada para conferir um tom de objetividade ou impessoalidade.
Origem Latina e Formação do Português
Século XIII - O verbo 'anotar' deriva do latim 'annotare', que significa 'escrever em anotações', 'registrar'. A forma 'anotavam-se' é uma conjugação do verbo no pretérito imperfeito do indicativo, terceira pessoa do plural, com o pronome 'se', indicando ação reflexiva ou passiva. Sua entrada no português se deu com a própria formação da língua a partir do latim vulgar.
Uso em Registros Oficiais e Privados
Séculos XVI a XIX - A forma 'anotavam-se' era comum em documentos oficiais, crônicas, diários e cartas, registrando eventos, observações e dados. O uso do 'se' apassivador era frequente em construções impessoais, como em 'anotavam-se os gastos' (os gastos eram anotados).
Evolução e Diversificação do Uso
Século XX - Com a modernização da língua e a expansão da escrita em diversos meios, 'anotavam-se' continuou a ser utilizado em contextos formais e literários. A distinção entre o 'se' reflexivo (alguém anotava para si mesmo) e o apassivador (algo era anotado) se manteve.
Presença Contemporânea e Digital
Século XXI - A forma 'anotavam-se' é menos comum na linguagem falada cotidiana, mas persiste em textos escritos formais, acadêmicos e literários. Em contextos digitais, a tendência é o uso de formas mais diretas ou verbos sinônimos.
Derivado do verbo 'anotar' (do latim 'annotare') + pronome 'se'.