apossou-se
Do latim 'apprehendere', com o sentido de pegar, segurar, prender. O pronome 'se' indica a natureza pronominal do verbo.
Origem
Do verbo latino 'appossidere', formado por 'ad' (a, para) e 'possidere' (possuir, ter em poder). O verbo latino 'possidere' tem origem em 'pos' (perto, ao lado) e 'sedere' (sentar-se), sugerindo a ideia de estar assentado em um lugar, de ter controle sobre ele.
Mudanças de sentido
A ideia de 'tomar posse' ou 'adquirir a posse' de algo.
Consolidação do sentido de 'apoderar-se', 'tomar para si', com possíveis conotações de aquisição de bens ou territórios.
Mantém o sentido de tomar posse, mas expande para domínios abstratos como sentimentos, ideias ou posições de poder. O contexto determina a conotação (positiva, negativa ou neutra). → ver detalhes
A palavra 'apossou-se' pode descrever a aquisição de bens materiais ('O colecionador apossou-se de um raro exemplar'), a conquista de um cargo ou posição ('O novo diretor apossou-se do cargo com firmeza'), ou até mesmo a invasão de sentimentos ou estados de espírito ('A tristeza apossou-se dele após a notícia'). A nuance de 'tomar' pode implicar uma ação ativa e decisiva, por vezes abrupta.
Primeiro registro
Registros em textos jurídicos e crônicas medievais em português, indicando o uso em contextos de posse de terras e bens. (Referência: Corpus de Textos Medievais Portugueses)
Momentos culturais
Presente em obras de Camões e outros autores renascentistas, frequentemente em narrativas de conquista, posse de reinos ou domínio.
Utilizada por autores como Machado de Assis e Guimarães Rosa para descrever a tomada de posse de terras, de poder ou de estados emocionais complexos em suas narrativas.
Comparações culturais
Inglês: 'took possession of', 'seized', 'occupied'. A ênfase em 'seized' pode ter uma conotação mais forte de apreensão ou confisco. Espanhol: 'se apoderó de', 'tomó posesión de'. Similar ao português, com 'apoderarse' sendo um cognato direto em sentido. Francês: 's'est emparé de', 'a pris possession de'. O verbo 's'emparer' carrega a ideia de tomar para si, de se apoderar. Italiano: 'si impossessò di', 'prese possesso di'. O verbo 'impossessarsi' é um cognato direto e muito próximo em significado.
Relevância atual
A palavra 'apossou-se' continua sendo um termo formal e preciso para descrever a ação de tomar posse. É comum em contextos jornalísticos, jurídicos e literários. Sua conjugação no pretérito perfeito simples é amplamente utilizada para relatar eventos passados de forma definitiva. Não possui conotações negativas intrínsecas, dependendo inteiramente do contexto em que é empregada.
Origem Latina e Formação
Século XIII - Deriva do verbo latino 'appossidere', composto por 'ad' (a, para) e 'possidere' (possuir, ter em poder). O sufixo '-sse' indica a forma verbal no pretérito perfeito do subjuntivo ou infinitivo pessoal, evoluindo para o português como forma reflexiva.
Entrada e Consolidação no Português
Séculos XIV-XVI - A forma 'apossar-se' (ou 'apossou-se' como conjugação) começa a aparecer em textos medievais e renascentistas, consolidando seu uso para indicar a ação de tomar posse, apoderar-se de algo, seja de forma legítima ou indevida.
Uso Moderno e Contemporâneo
Séculos XVII-Atualidade - A palavra mantém seu sentido principal de tomar posse, mas ganha nuances dependendo do contexto. Pode ser usada em contextos legais (apossou-se de terras), emocionais (apossou-se de um sentimento) ou figurados (apossou-se da liderança).
Do latim 'apprehendere', com o sentido de pegar, segurar, prender. O pronome 'se' indica a natureza pronominal do verbo.