aproveitar-se-iam
Do verbo 'aproveitar' + pronome reflexivo 'se' + desinência de futuro do pretérito da 3ª pessoa do plural '-iam'.
Origem
Deriva do verbo latino 'appretiari' (avaliar, estimar, dar valor), com a adição do pronome reflexivo 'se' e a desinência verbal '-iam' do futuro do pretérito (condicional) na terceira pessoa do plural. A estrutura com mesóclise ('aproveitar-se-iam') é uma característica gramatical do português.
Mudanças de sentido
Sentido de 'dar valor', 'estimar', 'avaliar'. Com o tempo, evoluiu para 'tirar proveito', 'utilizar bem', 'beneficiar-se de'.
O sentido principal é 'tirar proveito de algo ou de alguém', 'beneficiar-se de uma situação'. A forma 'aproveitar-se-iam' especifica que essa ação seria hipotética ou condicional, realizada por um sujeito plural.
Primeiro registro
Registros em documentos legais, crônicas e literatura da época, onde a mesóclise era a norma para a escrita formal. A forma exata 'aproveitar-se-iam' pode ser encontrada em textos como as Ordenações do Reino ou em obras literárias de transição do português arcaico para o moderno.
Momentos culturais
Presente em obras de autores como Camões, Machado de Assis (em seus textos mais formais ou em citações que remetem a um estilo mais antigo), e em documentos históricos e jurídicos que moldaram a cultura brasileira.
A forma 'aproveitar-se-iam' e outras construções com mesóclise são mantidas em documentos oficiais e leis para conferir um tom de solenidade e autoridade, remetendo a uma tradição jurídica.
Vida digital
A forma 'aproveitar-se-iam' é extremamente rara em ambientes digitais informais. Sua presença se limita a fóruns acadêmicos, discussões sobre gramática normativa, ou em citações de textos antigos em blogs e redes sociais. Não há registros de viralizações ou memes associados diretamente a esta forma verbal específica.
Comparações culturais
Inglês: A estrutura equivalente em inglês seria 'they would take advantage of it' ou 'they would benefit from it', utilizando o condicional ('would') e a estrutura verbal separada. Não há uma forma de mesóclise. Espanhol: A forma mais próxima seria 'se aprovecharían', utilizando o condicional ('aprovecharían') e o pronome reflexivo ('se') antes do verbo, ou em alguns contextos mais formais, 'aprovecharíanseles' (menos comum). O espanhol também não possui mesóclise. Francês: Seria 'ils en profiteraient' ou 'ils en tireraient parti', usando o condicional ('profiteraient', 'tireraient'). O francês também não emprega mesóclise.
Relevância atual
No português brasileiro contemporâneo, a forma 'aproveitar-se-iam' é considerada arcaica e de uso restrito. Sua relevância reside em sua função como marcador de formalidade extrema, tradição linguística e literária. Na comunicação do dia a dia, a forma 'eles se aproveitariam' é a predominante e natural. A compreensão de 'aproveitar-se-iam' é importante para a leitura de textos históricos, jurídicos e literários mais antigos.
Origem Latina e Formação
Século XIII - A forma 'aproveitar-se-iam' é uma construção gramatical complexa que remonta à evolução do latim vulgar para o português. O verbo 'aproveitar' deriva do latim 'appretiari', que significa 'avaliar', 'estimar', 'dar valor'. O pronome 'se' é um pronome reflexivo ou apassivador. O sufixo '-iam' indica a terceira pessoa do plural do futuro do pretérito (condicional simples) do indicativo. A forma completa 'aproveitar-se-iam' é um exemplo de mesóclise, a colocação do pronome oblíquo átono entre o radical e a desinência verbal, característica de um português mais formal e arcaico.
Uso Formal e Arcaico
Séculos XIV a XVIII - A mesóclise, como em 'aproveitar-se-iam', era comum na escrita formal, literária e jurídica. O uso indicava uma ação hipotética ou condicional que seria realizada por um sujeito plural. O sentido de 'aproveitar' já se consolidava como 'tirar proveito', 'utilizar bem', 'beneficiar-se de'.
Declínio da Mesóclise e Evolução Gramatical
Séculos XIX e XX - Com a evolução da língua portuguesa, especialmente no Brasil, a mesóclise começou a ser substituída pela próclise (pronome antes do verbo) ou ênclise (pronome depois do verbo) em contextos menos formais. A forma 'eles se aproveitariam' tornou-se a mais comum. No entanto, 'aproveitar-se-iam' permaneceu em textos literários, documentos oficiais e em contextos que buscam um registro de formalidade elevada ou um tom arcaizante.
Uso Contemporâneo e Contexto Brasileiro
Século XXI - A forma 'aproveitar-se-iam' é raramente utilizada na fala cotidiana no Brasil. Seu uso é restrito a contextos de alta formalidade, como em textos jurídicos, documentos históricos, literatura clássica ou em citações que remetem a um passado linguístico. O sentido permanece o mesmo: uma ação hipotética ou condicional realizada por um sujeito plural, com a nuance de que essa ação seria benéfica ou vantajosa para o sujeito. A forma mais comum e natural no português brasileiro contemporâneo é 'eles se aproveitariam'.
Do verbo 'aproveitar' + pronome reflexivo 'se' + desinência de futuro do pretérito da 3ª pessoa do plural '-iam'.