Palavras

aproximavamo-nos

Do latim 'appropinquare', aproximar-se.

Origem

Latim Vulgar

Deriva do verbo latino 'propinquare' (aproximar-se), que por sua vez vem do adjetivo 'propinquus' (próximo, vizinho, parente). A forma 'aproximavamo-nos' é uma conjugação do pretérito imperfeito do indicativo na primeira pessoa do plural, com o pronome oblíquo átono 'nos' em ênclise.

Mudanças de sentido

Português Arcaico

Sentido primário de aproximação física, de chegar perto de um local ou pessoa.

Português Moderno

Expansão para sentidos figurados: aproximação de ideias, conceitos, épocas ('aproximávamos-nos do fim da guerra'), ou de semelhança ('aproximávamos-nos de um consenso').

A palavra passou a descrever não apenas o movimento físico, mas também a convergência de estados, pensamentos ou situações. A ideia de 'tornar-se mais próximo' em um sentido abstrato ganhou força.

Atualidade (Brasil)

Mantém os sentidos físico e figurado, com ênfase na aproximação emocional e relacional ('aproximávamos-nos um do outro') e na semelhança ('aproximávamos-nos de um resultado esperado').

Primeiro registro

Séculos XII-XIII

Registros em textos medievais como 'Cantigas de Santa Maria' e crônicas, onde a estrutura enclítica era a norma para a colocação pronominal. A forma exata 'aproximávamos-nos' pode ser encontrada em documentos que atestam o uso do português arcaico.

Momentos culturais

Séculos XIX-XX (Literatura)

Uso frequente em obras literárias de autores como Machado de Assis, Eça de Queirós e outros, que empregavam a forma enclítica como padrão de escrita culta. Exemplo: 'Nós nos aproximávamos da casa...' ou 'Aproximávamos-nos do crepúsculo...'

Meados do Século XX (Brasil)

Início da divergência entre a fala e a escrita formal no Brasil, com a próclise ganhando terreno na oralidade, enquanto a ênclise ('aproximávamos-nos') se mantinha forte na literatura e em textos acadêmicos.

Vida emocional

Geral

A palavra carrega um peso de movimento, de transição e de conexão. Pode evocar sentimentos de antecipação, expectativa, intimidade crescente ou, em contextos de conflito, a iminência de um confronto. A forma enclítica ('aproximávamos-nos') pode adicionar uma nuance de formalidade ou distanciamento emocional em comparação com a forma proclítica mais coloquial.

Vida digital

Atualidade

A forma 'aproximávamos-nos' é raramente usada em contextos digitais informais (redes sociais, chats), onde 'nós nos aproximávamos' ou simplesmente 'a gente se aproximava' são preferidos. A forma enclítica pode aparecer em artigos de opinião, blogs literários ou em citações de textos clássicos. Buscas por 'aproximávamos-nos' tendem a ser relacionadas a estudos de gramática ou a busca por textos literários específicos.

Comparações culturais

Geral

Inglês: 'we were approaching' (sem a complexidade da colocação pronominal enclítica/proclítica). Espanhol: 'nos aproximábamos' (a colocação do pronome antes do verbo é a norma padrão). Francês: 'nous nous approchions' (o pronome reflexivo vem antes do verbo auxiliar ou do verbo principal). A estrutura enclítica do português 'aproximávamos-nos' é uma característica distintiva que reflete a evolução gramatical da língua em relação a outras línguas românicas e germânicas.

Origem Etimológica e Latim Vulgar

Século V-VIII — Deriva do latim 'propinquare', que significa 'aproximar-se', 'chegar perto'. 'Propinquare' é um verbo derivado de 'propinquus', adjetivo que significa 'próximo', 'vizinho', 'parente'. A forma 'aproximavamo-nos' é uma conjugação verbal em primeira pessoa do plural do pretérito imperfeito do indicativo, com o pronome oblíquo átono 'nos' enclítico, característica do português arcaico e medieval.

Formação no Português Arcaico

Séculos XII-XV — A estrutura 'aproximávamos' (verbo) + 'nos' (pronome) se consolida no português arcaico. O uso do pronome enclítico era a norma, especialmente em frases afirmativas e após verbos no infinitivo, gerúndio e particípio, e também após verbos conjugados em certas posições. O sentido principal era o de 'chegar perto fisicamente'.

Evolução para o Português Moderno

Séculos XVI-XIX — Com a evolução da língua, a colocação pronominal se torna mais flexível. O pronome 'nos' pode aparecer antes do verbo (próclise) em contextos específicos (frases negativas, interrogativas, com certos advérbios). No entanto, a enclise ('aproximávamos-nos') permanece como forma culta e comum, especialmente na escrita formal e literária. O sentido se expande para incluir aproximação figurada (de ideias, sentimentos, épocas).

Uso Contemporâneo no Brasil

Século XX-Atualidade — No português brasileiro, a próclise ('nós nos aproximávamos') tornou-se a forma predominante na fala coloquial e em muitos contextos escritos. A enclise ('aproximávamos-nos') é considerada mais formal, literária ou arcaizante, sendo menos frequente no dia a dia, mas ainda presente em textos formais, literatura e em algumas regiões ou por influência de falantes mais conservadores. O sentido abrange aproximação física, temporal, conceitual, emocional e de semelhança.

aproximavamo-nos

Do latim 'appropinquare', aproximar-se.

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