atribuir-nos-emos
Do latim 'attribuere'.
Origem
Do latim 'attribuere', que significa dar a, conceder, acrescentar, imputar. Composto por 'ad' (a, para) e 'tribuere' (dar, conceder, pertencer a uma tribo).
Mudanças de sentido
O sentido original de 'dar a', 'conceder', 'imputar' ou 'designar algo a alguém'.
Mantém o sentido de imputar, conceder, designar, mas a forma verbal 'atribuir-nos-emos' carrega um peso de formalidade e distanciamento temporal.
O sentido do verbo 'atribuir' permanece o mesmo, mas a forma 'atribuir-nos-emos' é raramente usada, sendo associada a um registro extremamente formal ou a um estilo literário específico. O uso do verbo em si é comum em contextos de responsabilidade, causalidade ou designação.
Primeiro registro
Registros em documentos notariais e textos literários da época de formação do português, onde a ênclise era a regra geral. A forma exata 'atribuir-nos-emos' pode ser encontrada em textos como as Ordenações do Reino.
Momentos culturais
Presente em obras literárias de Camões, Padre Antônio Vieira e outros autores que utilizavam a norma culta da época, onde a ênclise era predominante.
A forma 'atribuir-nos-emos' é mantida como exemplo de conjugação correta no futuro do subjuntivo com pronome oblíquo em ênclise em manuais de gramática, servindo como referência didática.
Comparações culturais
Inglês: O inglês não possui uma forma verbal equivalente direta com a mesma complexidade de conjugação e colocação pronominal. A ideia seria expressa por 'we will attribute to ourselves' ou 'we shall attribute to ourselves', mas a estrutura é analítica e não sintética como no português. Espanhol: O espanhol também usa uma estrutura analítica para o futuro do subjuntivo ('atribuiremosnos' seria a forma mais próxima, mas a ênclise é menos comum e a estrutura é mais flexível, com 'nos atribuiremos' sendo mais usual). Francês: O francês usa uma estrutura analítica, como 'nous nous attribuerons' (futuro simples) ou 'nous nous attribuerions' (futuro do pretérito), sem uma forma de subjuntivo com essa estrutura específica e ênclise.
Relevância atual
A forma 'atribuir-nos-emos' é raramente utilizada na comunicação corrente. Sua relevância reside em ser um exemplo de gramática histórica e normativa, aparecendo em estudos linguísticos, textos jurídicos formais, ou em contextos literários que buscam evocar um estilo de época. Na prática, o verbo 'atribuir' é usado em construções como 'nós nos atribuiremos' ou 'nós vamos nos atribuir'.
Origem Etimológica e Latim Vulgar
Século III d.C. - O verbo latino 'attribuere' (atribuir, dar a, acrescentar) é a raiz. Deriva de 'ad' (a, para) + 'tribuere' (dar, conceder, atribuir, pertencente a uma tribo). A forma 'atribuir-nos-emos' é uma construção gramatical que se consolidou no português.
Formação do Português e Primeiras Conjugações
Séculos XII-XIV - Com a consolidação do português como língua distinta do latim, as conjugações verbais começam a se fixar. A estrutura do futuro do subjuntivo com pronome oblíquo em ênclise ('atribuir-nos-emos') é característica do português arcaico e clássico.
Uso Clássico e Transição para o Moderno
Séculos XV-XIX - A forma 'atribuir-nos-emos' era comum na escrita formal e literária. Com a evolução da gramática normativa e a preferência pela próclise em muitos contextos, seu uso se tornou menos frequente na fala cotidiana, mas permaneceu em registros mais cultos.
Uso Contemporâneo e Gramática Normativa
Século XX - Atualidade - A forma 'atribuir-nos-emos' é considerada gramaticalmente correta, mas arcaica e formal. Na linguagem falada e escrita informal, prefere-se 'nos atribuiremos' (próclise) ou, em alguns contextos, a omissão do pronome. Seu uso é restrito a textos jurídicos, acadêmicos ou literários de cunho histórico.
Do latim 'attribuere'.