bastara
Do latim 'bastare'.↗ fonte
Origem
Do verbo latino 'bastare', significando 'ser suficiente', 'dar conta', 'chegar'.
Evoluiu para a forma verbal 'bastara', especificamente o pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo.
Mudanças de sentido
Expressava uma ação passada concluída antes de outra ação passada. O sentido central de 'ser suficiente' permaneceu, mas a nuance temporal se tornou mais complexa.
A forma 'bastara' perdeu sua função gramatical primária no uso corrente, sendo substituída por construções mais simples. O sentido de 'ser suficiente' é mantido por outras formas verbais.
A substituição de formas verbais complexas por perífrases é um fenômeno comum na evolução das línguas românicas, visando simplificar a comunicação. Em português, o pretérito mais-que-perfeito simples ('bastara') deu lugar ao pretérito perfeito composto ('tinha bastado') ou ao pretérito perfeito simples ('bastou') em muitos contextos.
Primeiro registro
Registros em textos medievais portugueses, como crônicas e obras literárias, onde a conjugação verbal era mais complexa e o pretérito mais-que-perfeito simples era de uso corrente.
Momentos culturais
Presente em obras de autores como Luís de Camões, Fernão Lopes e Gil Vicente, onde a gramática da época exigia seu uso em contextos específicos.
A palavra 'bastara' é frequentemente citada em gramáticas normativas e estudos sobre a história da língua portuguesa como um exemplo de conjugação verbal arcaica.
Comparações culturais
O latim possuía o 'plusquamperfectum simplex' (ex: 'bastaverat'), que deu origem a formas similares em línguas românicas. O português 'bastara' é um descendente direto.
O espanhol também possui o pretérito pluscuamperfecto de indicativo simples (ex: 'hubo bastado' ou formas mais antigas como 'bastara'), mas seu uso também se tornou menos comum em favor de construções compostas.
O francês antigo possuía o 'plus-que-parfait de l'indicatif' simples (ex: 'eut suffi'), mas este foi amplamente substituído pelo 'plus-que-parfait' composto ('avait suffi').
O inglês não possui uma forma verbal equivalente direta ao pretérito mais-que-perfeito simples. A ideia é expressa por meio de construções como 'had been enough' ou 'had sufficed'.
Relevância atual
A relevância de 'bastara' no português brasileiro atual é primariamente acadêmica e histórica. Sua presença é notada em estudos sobre a evolução da língua e em textos literários que buscam emular estilos antigos. No uso cotidiano, a palavra é praticamente inexistente, sendo substituída por formas mais simples e comuns.
Origem Latina e Formação do Português
Século XII-XIII — Deriva do verbo latino 'bastare', que significa 'ser suficiente', 'chegar', 'dar conta'. A forma 'bastara' surge como uma conjugação verbal específica no português arcaico.
Uso Arcaico e Clássico
Séculos XIV-XVIII — A forma 'bastara' (pretérito mais-que-perfeito simples do indicativo) era utilizada em textos literários e religiosos para expressar uma ação concluída no passado anterior a outra ação passada. Exemplo: 'Quando ele chegou, a comida já bastara.'
Declínio no Uso Formal e Sobrevivência
Séculos XIX-XX — Com a simplificação das conjugações verbais no português moderno, formas como o pretérito mais-que-perfeito simples tornam-se cada vez mais raras na língua falada e escrita, sendo substituídas pelo pretérito perfeito composto ou por perífrases. 'Bastara' passa a ser considerada uma forma arcaica ou literária.
Uso Contemporâneo
Atualidade — A forma 'bastara' é raramente encontrada no português brasileiro contemporâneo, exceto em contextos muito específicos de estudo linguístico, citações literárias antigas ou, ocasionalmente, em um registro intencionalmente arcaizante ou irônico. A forma mais comum para expressar a ideia de suficiência no passado é 'tinha bastado' ou 'bastou'.
Do latim 'bastare'.