caras-demais
Composição das palavras 'caras' (plural de caro, adjetivo) e 'demais' (advérbio de intensidade).
Origem
Composto nominal formado pela junção do substantivo 'cara' (derivado do latim 'carus', que significa 'prezado', 'amado', mas também 'de alto preço') e do advérbio 'demais' (do latim 'de' + 'magis', significando 'em excesso', 'além do limite'). A combinação sugere um excesso daquilo que é caro, seja em valor monetário ou em apreço.
Mudanças de sentido
Predominantemente ligado a bens e serviços de alto custo financeiro, com conotação de crítica à inflação ou ao luxo inacessível.
Ampliação para incluir o apreço excessivo, a admiração desmedida ou a quantidade exagerada de algo ou alguém que se considera 'caro' em um sentido figurado, como 'caro de se lidar' ou 'caro de se ter por perto'. → ver detalhes
A expressão 'caras-demais' passou a ser usada de forma mais abrangente. Em vez de apenas se referir a objetos ou serviços caros, pode descrever situações onde há um excesso de pessoas que são vistas como 'caras' (no sentido de difíceis, problemáticas, ou que demandam muita atenção/recursos), ou um excesso de algo que, embora desejado, se torna oneroso em termos de esforço, tempo ou energia. Por exemplo, uma festa com 'caras-demais' pode significar muitas pessoas, algumas das quais podem ser socialmente difíceis ou exigir atenção excessiva, tornando o evento menos agradável do que o esperado.
Primeiro registro
Registros em jornais e literatura da época que comentam sobre o custo de vida e a ascensão de bens e serviços considerados 'caros demais' para a população em geral. (Referência: corpus_literatura_brasileira_sec_xix.txt)
Momentos culturais
A expressão pode ter sido utilizada em canções populares ou crônicas que abordavam o aumento do custo de vida e a desigualdade social no Brasil.
Uso em debates sobre o mercado imobiliário, o custo de eventos sociais e a percepção de valor em bens de consumo de luxo.
Vida digital
A expressão aparece em fóruns online, redes sociais e comentários de notícias, frequentemente em discussões sobre preços de produtos, aluguel de imóveis, ou até mesmo em contextos de humor sobre eventos sociais com muitos convidados 'difíceis'.
Pode ser encontrada em memes ou posts de humor que ironizam situações de excesso ou de pessoas que demandam muita atenção ou recursos. (Referência: corpus_memes_redes_sociais.txt)
Comparações culturais
Inglês: 'Too expensive' (para valor monetário), 'Too much' (para excesso em geral), 'Too many people' (para excesso de pessoas). Espanhol: 'Demasiado caro' (para valor monetário), 'Demasiados' (para excesso de quantidade), 'Demasiada gente' (para excesso de pessoas). Francês: 'Trop cher' (para valor monetário), 'Trop' (para excesso em geral). Alemão: 'Zu teuer' (para valor monetário), 'Zu viel' (para excesso em geral).
Relevância atual
A expressão 'caras-demais' mantém sua relevância no português brasileiro como uma forma coloquial e expressiva de descrever situações de excesso, seja em termos de custo financeiro, esforço, ou até mesmo em relação à quantidade ou qualidade de pessoas em um determinado contexto. É uma construção que reflete a percepção cultural sobre o que é considerado um limite aceitável de valor ou de demanda.
Formação e Composição
Século XIX - Início da formação da expressão como um composto nominal, a partir da junção do substantivo 'cara' (de 'caro', de valor elevado) com o advérbio 'demais' (em excesso).
Consolidação e Uso Inicial
Final do Século XIX e Início do Século XX - A expressão começa a ser utilizada em contextos de crítica social e econômica, referindo-se a bens, serviços ou até mesmo pessoas que extrapolavam o valor considerado justo ou acessível.
Expansão de Sentido e Uso Popular
Meados do Século XX até Atualidade - O uso se expande para abranger não apenas o valor monetário, mas também o apreço excessivo, a admiração desmedida ou a quantidade exagerada de algo ou alguém que se considera 'caro' em um sentido mais amplo.
Composição das palavras 'caras' (plural de caro, adjetivo) e 'demais' (advérbio de intensidade).